HERNIAS INGUINAIS EM CADELA - RELATO DE CASO

Autores

  • Gabriela Venite
  • Luisa dos Santos Veber
  • Marcio Borges de Freitas
  • Patricia de Freitas Salla
  • Edson Luiz Salomão

Palavras-chave:

intestino, corno, uterino, bexiga, herniação

Resumo

Hérnias inguinais são protrusões de órgãos ou tecidos através do canal inguinal adjacente ao processo vaginal, podendo surgir como resultado de anormalidades congênitas do anel inguinal ou após traumatismo. Cães com hérnias inguinais apresentam massas flutuantes e macias na região inguinal, usualmente não dolorosas, podendo estar presentes a mais de um ano, passíveis de redução ou não. Se tiver ocorrido estrangulamento intestinal ou se na hérnia conter um útero gravídico ou a bexiga, o edema poderá ser grande, flutuante e dolorido. As cadelas estão mais predispostas à herniação porque o anel inguinal é mais curto e de maior diâmetro para dar passagem ao ligamento redondo, sendo o responsável pelo deslocamento do corno uterino durante a herniação. O encarceramento do útero é uma complicação freqüentemente associada com hérnia inguinal. Sua importância clínica aumenta com o desenrolar da gestação ou eventual patologia, quando poderá tornar-se necessário prestar atendimento emergencial, como em caso de distocia ou piometrite toxêmica em útero encarcerado. Nestes casos é recomendada a ovariohisterectomia no momento da redução como medida profilática ou terapêutica. O presente relata o caso de uma cadela, SRD, com idade de 8 anos e 9 kg, que foi encaminhada a clinica, pois apresentava um aumento considerável de volume em sua parte ventral, sendo diagnosticada duas hérnias inguinais. O diagnostico de hérnia bilateral é evidente, de consistência mole e consistência que permite estabelecer que a bexiga faça parte do conteúdo herniário do lado esquerdo, mais ou menos mesmo tamanho em ambos os lados. O tratamento indicado foi a partir de uma intervenção cirúrgica, com anestesia inalatória, foi feita a incisão na linha alba, detectada hérnia bilateral, em que uma das hérnias apresentava como conteúdo bexiga e um corno uterino, no lado esquerdo, e outra hérnia inguinal como conteúdo intestino e o outro corno uterino, do lado direito. Já sendo realizada a ovariosalpingohisterectomia. O paciente não teve complicações devido ao procedimento cirúrgico e em um retorno após 7 dias, estava sem sinais de recidiva sendo o tratamento considerado curativo. Segundo autores o conteúdo da hérnia inguinal geralmente é formado pelo intestino, seu mesentério ou omento, embora tenha sido diagnosticada também a presença de gordura prostática, cólon, bexiga e baço. Cadiote Almy (1924), em seu livro clássico de cirurgia veterinária, citam caso relatado por Friedberger em 1875, talvez o mais antigo registrado na literatura, e outro de Cadeac; ambos se referem a casos de hernia inguinal dupla, contendo os sacos, vários órgãos abdominais (epiplon, baço, útero, bexiga e alças intestinais). Esse relato mostrou que massas na região inguinal de uma cadela não são, necessariamente, oriundas de tecido mamário como ocorre na maioria das vezes, ressaltando a importância de diferenciar essas massas de hérnias inguinais, para que o tratamento adequado possa ser instituído de forma precisa, para cada enfermidade.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Publicado

2020-02-12

Como Citar

HERNIAS INGUINAIS EM CADELA - RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 7, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/79782. Acesso em: 17 abr. 2026.