QUILOMBO RINCÃO DOS FERNANDES
Palavras-chave:
comunidade, quilombola, remanescente, resistência, escrava, resgate, cultural, escravoResumo
Por mais de 350 anos, a maior parte das riquezas produzidas no Brasil foram obtidas por meio da exploração de trabalho escravo. Em Uruguaiana-RS, os escravos eram usados, em sua maioria, para trabalho nas estâncias onde praticavam a agricultura de subsistência e a criação extensiva do rebanho, utilizando peões e escravos como mão de obra. Os escravos também produziam instrumentos de trabalho como couro e ferro, construíam cercas e mangueiras de pedras e transportavam lenha. Este trabalho tem como finalidade dar visibilidade ao contexto de formação do Quilombo Rincão dos Fernandes, diminuir o preconceito existente sobre essas minorias e estimular a comunidade acadêmica a visitar o quilombo, como forma de resgate cultural, com vistas à sua manutenção. O estudo foi realizado na disciplina de Sociologia e Cooperativismo Rural, no curso de Medicina Veterinária. Foi conduzido levantamento bibliográfico, visita e entrevistas com quilombolas e estudiosos sobre o assunto. Conforme apurado pela pesquisa, no final de 1858, havia em Uruguaiana cerca de 3.233 moradores, destes, quase 20% eram escravos, todos crioulos, ou seja, nascidos no Brasil. Em 1861 surgia em Uruguaiana a sociedade abolicionista e em 1869 os primeiros negros foram libertos, mas somente em 1884 foi proclamada a liberação dos escravos no Rio Grande do Sul, e em 1888 em todo território nacional. A liberação os deixou abandonados à própria sorte, na miséria e além de tudo rejeitados pela sociedade. Construir um quilombo tornou-se essencial para a sobrevivência dos mesmos. Nesta perspectiva, Antônio Martins de Oliveira, em 1857, fez doação real de duas quadras de campo para duas famílias de escravos, originando o Rincão dos Fernandes, há pouco oficializado. O Rincão dos Fernandes foi reconhecido pela Fundação Cultural Palmares, de Brasília, no final de 2010, como área remanescente de quilombo e tombado como Patrimônio Histórico e Cultural de Uruguaiana em novembro de 2011. Atualmente vivem apenas quatro famílias nos doze hectares que restaram do Rincão dos Fernandes. Essas famílias sobreviveram trabalhando nas estâncias da região como peões e faxineiras ou já estão aposentados. Jovens e crianças praticamente não permanecem no local, distante da sede da cidade cerca de 70 quilômetros. Ao concluir o estudo, ficou evidenciado ser de extrema importância resgatar e compartilhar informações sobre a origem e lutas da comunidade quilombola, bem como suas aspirações sobre o futuro. O povoado representa parte fundamental da história local, sendo um importante elo entre o presente e o passado. A Universidade Federal do Pampa poderá contribuir para o fortalecimento do Rincão dos Fernandes enquanto único remanescente de quilombo em Uruguaiana, fazendo com que o mesmo tenha sua importância reconhecida pela comunidade, isso pode ser feito através da apresentação do mesmo em eventos acadêmicos promovidos pela universidade e apresentando o Quilombo para seus acadêmicos através de visitas.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Publicado
2020-02-12
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
QUILOMBO RINCÃO DOS FERNANDES. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 7, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/79773. Acesso em: 17 abr. 2026.