DIAGNÓSTICO MOLECULAR DE LEISHMANIOSE EM EQUINOS DE TRAÇÃO
Palavras-chave:
Saúde, Pública, PCR, Leishmania, zoonoseResumo
No município de Uruguaiana RS existe um expressivo número de equinos utilizados na tração urbana de carroças, sendo os mesmos, em muitas ocasiões, a única fonte de renda de famílias de baixo poder aquisitivo. Estes animais vivem em condições precárias tendo que se adaptar a trabalhos excessivos, com pouca sanidade e má nutrição. Frente a estes fatores, e sabendo-se que o município é classificado como área de transmissão de leishmaniose visceral canina (LVC), doença causada por protozoários do gênero Leishmania, onde o cão é o principal reservatório doméstico e que pode acometer outros mamíferos como equinos, felinos e humanos, pretendeu-se investigar a presença de Leishmania sp em equinos de tração no município, através da técnica de Reação em cadeia da polimerase (PCR) afim de detectar material genético dos protozoários em amostras de sangue. Foram selecionados 53 animais atendidos pelo Projeto Carroceiro no Hospital Universitário Veterinário da Universidade Federal do Pampa, provenientes de diferentes regiões do município. O material genético das amostras foi obtido através da extração utilizando protocolo específico para amostras de sangue. As reações foram realizadas com um volume de 20µl (2 µL de dNTP, 1µL de cada iniciador, 2µL solução tampão, 1µL MgCl2, 1µL de Taq DNA polimerase, 2µL de DNA e 10µL de água ultra pura), as condições de reação foram: desnaturação inicial de 95ºC por 2 minutos, 34 ciclos à 95ºC por 20 segundos, 53ºC por 30 segundos e 72ºC por 1 minuto, seguido de um ciclo de 72ºC por 6 minutos para extensão final em termociclador (Amplitherm Thermal Cyclers TX96 Plus). Os pares de iniciadores utilizados foram o LITSR/L5.8S e o L5.8S/L5.8SR que codificam as regiões ITS1 (320 pb) e ITS2 (720 pb) (internal transcribed spacer) respectivamente. Posteriormente os produtos de PCR foram submetidos à eletroforese em gel de agarose, as bandas foram visualizadas em transiluminador com luz ultravioleta (AlphaImager). A técnica de PCR permitiu a detecção de fragmentos de DNA compatíveis com os de Leishmania sp em 3 amostras das 53 amostras examinadas até o momento, com os pares de iniciadores LITSR/L5.8S, (5,66%) e seis amostras com os pares de iniciadores LITSV/L5.8SR (11,32%). Entretanto, a pesquisa encontra-se em andamento e pretende-se utilizar além do diagnóstico molecular, as técnicas sorológicas ELISA e TR-DPP para verificar a confirmação destes resultados. Até o momento, não se tem conhecimento de casos positivos de leishmaniose em equinos no município, entretanto na região existe um elevado número de cães portadores de LVC e já houveram casos humanos positivos notificados. Os resultados obtidos até o momento evidenciam a presença do parasito infectando o sangue circulante de equinos em consequência do contato com a espécie vetora da enfermidade. Estes animais são possíveis fontes de infecção, entretanto necessita-se de uma investigação mais acurada sobre o papel da espécie na cadeia epidemiológica da leishmaniose em regiões endêmicas. As informações obtidas com este trabalho serão importantes para o alargamento dos conhecimentos da enfermidade na região em equinos, permitindo assim, a obtenção de dados que possam auxiliar nas ações de controle e prevenção.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Publicado
2020-02-12
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
DIAGNÓSTICO MOLECULAR DE LEISHMANIOSE EM EQUINOS DE TRAÇÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 4, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/68492. Acesso em: 18 abr. 2026.