CANINO INFECTADO POR LEPTOSPIRA SPP. RELATO DE CASO

Autores

  • Patricio dos Santos
  • Ana Paula Andrade Pachla
  • Daiane Pires Gauto
  • Maria Júlia Lopes Barbosa dos Santos
  • Ana Luiza Cabral Risch
  • Regina Celis Pereira Reiniger

Palavras-chave:

Roedores, Zoonose, Icterícia

Resumo

A leptospirose é uma importante doença infecto-contagiosa dos animais e do homem sendo, portanto, considerada uma zoonose. É provocada por uma espiroqueta da espécie Leptospira. Muitos hospedeiros silvestres atuam como reservatório para outros animais, tanto silvestres, quanto domésticos e inclusive para o homem. Entre os animais silvestres o Rattus norvegicus (roedor sinantrópico) é citado como o reservatório natural mais importante. Nos ratos a Leptospira provoca uma infecção assintomática, porém, os mesmos eliminam a bactérias por toda a sua vida. A bactéria é de uma única espécie Leptospira interrogans, porém apresenta vários sorovares (mais de 200 já foram identificados). O principal sorovar que acometem caninos é a canicola; e apresenta maior incidência em animais não vacinados. A forma de transmissão pode ocorrer de forma direta e indireta, sendo a forma direta mais comum e ocorre pelo contato com sangue e/ou urina de animais doentes, por transmissão venérea, transplacentária ou pela pele. Este estudo teve como objetivo relatar um caso de leptospirose em um canino. Foi atendido na Clínica Veterinária Tupy no município de Bagé-RS, um macho canino da raça Schnauzer, não castrado, de cinco anos de idade. Durante a anamnese as queixas principais foram vômitos recorrentes, apatia e anorexia. A proprietária relatou que em torno de uma semana atrás, houve troca de ração, pois o animal não estava se alimentando normalmente. Como o paciente mora em apartamento, todos os dias é levado para passear por praças e vias públicas. O exame clínico não revelou nenhuma alteração, como também o exame de ultrassom. O paciente foi tratado com Petprazol® e Cerenia®. No dia seguinte o animal retornou a clínica pelo agravamento do quadro, sendo observados febre de 39,8C°, arqueamento do trem posterior e grau acentuado de icterícia. Solicitou-se hemograma e bioquímico e como tratamento sintomático foi administrado Dipirona® e Shotapen®. Os resultados dos exames revelaram leucocitose por neutrofilia e desvio a esquerda, aumento de fibrinogênio plasmático e trombocitopenia. As provas bioquímicas como AST, ALT e fosfatase alcalina encontravam-se elevadas. Com os resultados dos exames associado a anamnese e exame físico, foi enviado uma amostra de soro para o teste de leptospirose, no qual foi positivo. Este animal foi posto em isolamento e tratado com Doxiciclina® por 21 dias. E após o término do tratamento a sorologia foi repetida tendo resultado negativo. Conclui-se que mesmo animais domésticos de centros urbanos não estão livres desta zoonose tendo em vista a rotina de passeios pela cidade e em praças que constitui um potencial fator de risco para infecção com Leptospira spp., o que reforça a necessidade de vacinação anual ou semestral dos cães contra a Leptospirose.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

CANINO INFECTADO POR LEPTOSPIRA SPP. – RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/67380. Acesso em: 18 abr. 2026.