O ENSINO DE LITERATURA ATRAVÉS DE UMA DISCUSSÃO SOBRE A FORMAÇÃO DE LEITORES E DO LETRAMENTO LITERÁRIO: LEITURA CRÍTICA DE UM LIVRO DIDÁTICO.
Palavras-chave:
ensino, literatura, formação, leitores, letramento, literário, livro, didáticoResumo
A formação de professores vem sendo questionada por vários vieses de estudos, e, em quaisquer aportes disciplinar ou teórico, está imbricada a questão do livro didático: sabemos que na escola os professores tem o poder de escolha (às vezes cerceada pelas editoras grandes, tantas outras vezes direciona-se para autores conhecidos e/ou mais tradicionais de cada área). Nesse sentido, parece conveniente colocar a questão de como escolher o livro didático. Especificamente, o objetivo desta comunicação é discutir as posições adotadas no livro didático Português: Língua e Cultura, de Carlos Alberto Faraco a respeito do ensino de literatura, tal como apresentada por nós em um trabalho na disciplina de Estágio em língua portuguesa e literatura respectiva I. Tal livro é um volume único (três anos do ensino médio), constituído de trinta e cinco (35) capítulos que lidam com as questões da língua e da literatura. Os capítulos de 1 a 7 são relacionados a textos, na maioria, literários. Entre os capítulos 8 e 29 somente é pensada a língua (através de gêneros discursivos e metalinguagem). E entre os capítulos 29 e 35 é retomada a literatura, em seu aspecto historiográfico. Os sete (7) últimos capítulos são dedicados à lusofonia, três deles à literatura brasileira, três à literatura portuguesa e um às literaturas africanas em língua portuguesa. Com vistas a isto, analisaremos o livro didático com uma metodologia de caráter qualitativo e interpretativo. O aporte teórico é advindo dos estudos de Soares (2008) que discute a questão da democracia cultural na qual o acesso à vivência da literatura é parte; de Rouxel (2013a, 2013b) que fundamenta as práticas de ensino de literatura e de formação de leitores; de Lajolo (2009) que afirma que o texto não é pretexto; além de Paulino e Cosson (2009) que teorizam sobre o letramento literário. Os resultados apontam para: fragmentação dos textos literários em trechos dispersos (quando o texto é somente pretexto ou exemplo); o leitor é convidado à leitura, pois o aspecto dado ao autor especialmente na seção plano de leitura de narrativas longas é formador de leitores; os capítulos que tratam do eixo lusófono apresentam uma linearidade entre cada uma das literaturas, diferente da usual a visão dos livros didáticos, que é diacrônica (na qual apresenta-se a literatura brasileira em paralelo com as escolas literárias europeias); e, ainda, mesmo que o livro tenha o mérito de apresentar as três literaturas assim, cada uma compartimentada e isolada pode gerar um trabalho que prime somente pela brasileira, considerando que é obrigatória no ensino médio. À guisa de conclusão, podemos afirmar que o livro é, ainda que fragmentando os textos literários (utilizando-os como pretexto ou como exemplo das escolas literárias) e apresentando a literatura lusófona de maneira apartada uma da outra, formador de leitores e isso é um aspecto positivo. O ensino de literatura prescinde dessas duas questões: a formação de leitores e o letramento literário. O livro didático analisado faz isto, os problemas que apresentamos podem ser desviados, dependem naturalmente da abordagem do professor.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O ENSINO DE LITERATURA ATRAVÉS DE UMA DISCUSSÃO SOBRE A FORMAÇÃO DE LEITORES E DO LETRAMENTO LITERÁRIO: LEITURA CRÍTICA DE UM LIVRO DIDÁTICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/67358. Acesso em: 18 abr. 2026.