Distribuição Fitogeográfica De Prosopis affinis Spreng.: Uma Espécie Endêmica Do Sudoeste Do Rio Grande Do Sul?

Autores

  • Camila Lôbo
  • Valdir Marcos Stefenon

Palavras-chave:

Status, conservação, Rota, imigratória, Prosopis, affinis, inhanduvá

Resumo

A degradação que o Bioma Pampa, domínio fitogeográfico compartilhado pelo Brasil, Uruguai e Argentina, tem sofrido torna primordial a gestão eficiente das unidades de conservação e da sua flora. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a distribuição fitogeográfica do inhanduvá (Prosopis affinis Spreng.) neste bioma, a fim de atualizar a situação desta espécie no estado para um manejo racional. As áreas naturais de ocorrência da espécie foram determinadas na literatura especializada e a similaridade das espécies arbóreas foi determinada através de análises de parcimônia. Utilizou-se as espécies como caracteres e a ausência (0) ou presença (1) como estados de cada caráter, gerando uma matriz que foi analisada no programa TNT. O Inhanduvá ocorre naturalmente na metade sul de Corrientes e no noroeste e centro de Entre Rios, compondo o distrito de Ñandubay, no domínio Chaquenho e sua distribuição na região dos chacos, especialmente no Rio Grande do Sul, é muito debatida. A espécie ocorre desde a costa do Peru até a Argentina, incluindo Bolívia, Paraguai e Uruguai. No estado do Rio Grande do Sul, a espécie é encontrada primariamente no Parque Estadual do Espinilho, além de algumas formações sedimentares do sudoeste do estado, na bacia do rio Ibicuí (municípios de Quaraí, São Vicente do Sul, Rosário do Sul, Cacequi e Alegrete). Dessa maneira, foi sugerido que houveram duas rotas imigratórias distintas da espécie, uma seguiu a bacia do rio Ibicuí e a outra o rio Quaraí. A análise de parcimônia gerou apenas uma árvore filogenética, onde os parques mais semelhantes foram os de Cacequi, Rosário do Sul e Alegrete. Especialmente em relação aos Parques da várzea do Rio Santa Maria, em Rosário do Sul e do Rio Ibicuí, em Cacequi se observa uma relativa proximidade e também o estabelecimento pioneiro de P. affinis, auxiliando o aparecimento das sucessões ecológicas seguintes, de modo que nestas áreas há uma diversidade maior de espécies arbóreas. A despeito das barreiras de formação geológica, a ação antrópica vem reduzindo os parques naturais. Dessa maneira, a denominação de P. affinis como endêmica do Sudoeste do Rio Grande do Sul, como proposto pro alguns ecólogos, não se sustenta, pois ela ocorre em outras nações da América do sul, inclusive em biomas distintos. Sendo assim, o inhanduvá está restrito a América do Sul, o que não diminui sua importância e situação de risco, mas chama para os demais países a sua responsabilidade de preservação.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Distribuição Fitogeográfica De Prosopis affinis Spreng.: Uma Espécie Endêmica Do Sudoeste Do Rio Grande Do Sul?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 4, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/66321. Acesso em: 21 abr. 2026.