Guerra na Fronteira do Rio Grande do Sul: Repensando a Guerra do Paraguai

Autores

  • Wagner Jardim
  • Mario José Maestri Filho

Palavras-chave:

Guerra, -, Classes, sociais, Soldados

Resumo

Este relato, abreviado é parte da pesquisa desenvolvida no Programa de Pós Graduação em História da Universidade de Passo Fundo. Fruto de dissertação de mestrado em andamento, essa pesquisa visa problematizar questões pendentes em relação às causas e desdobramentos da invasão paraguaia ao Rio Grande do Sul em 1865. A bibliografia especializada caracterizava o soldado paraguaio enquanto selvagem, enfeitiçado pelo presidente. Os referidos historiadores desprezaram a condição social daquele soldado, sua história enquanto classe social. Não problematizaram o contexto interno paraguaio anterior ao conflito. A partir de uma metodologia baseada na teoria marxista, que interpreta as relações econômicas e de classe, problematizou-se a situação da classe camponesa, que compunha em sua maioria o exército paraguaio. As fontes utilizadas são, sobretudo, relatos dos envolvidos. Diários de campanha, ainda que escassos, permitiram a análise do conflito a partir da ótica tática dos beligerantes. Por outro lado os registros pessoais, geralmente de oficiais, possibilitou compreender as condições de sobrevivência dos envolvidos, nas mais diversas situações do conflito. A pesquisa pode ser dividida em duas partes, que se subdividem. No primeiro momento abordou-se a conformação do Estado Nacional paraguaio, compreendendo as peculiaridades socioeconômicas do lugar. No andamento da pesquisa se está problematizando a guerra propriamente dita, sob o olhar do exército paraguaio. No decorrer do século 19, modificou-se a estrutura social paraguaia. Ao assumirem a presidência, Carlos Antônio López, sucedido por seu filho Francisco Solano López promoveram mudanças fundamentais de ordem social, política e econômica. A base sócio-política paraguaia passou das mãos dos pequenos e médios camponeses, para as mãos da classe proprietária ligada ao comércio internacional. A pesquisa aborda desde as condições estruturais do exército paraguaio, como qualidade dos armamentos, nível de treinamento, até condições de sobrevivência em território desconhecido. Percebeu-se que nos primeiros momentos de guerra o exército paraguaio estava ainda em formação, tendo muitos que receberem instruções básicas durante o deslocamento das tropas. As condições de sobrevivência dos paraguaios eram precárias, faltava alimentação e enfrentaram um rigoroso inverno quase desprovidos de vestimentas adequadas. Isso fez demorar em demasia o exército nas povoações por onde passavam. Identificou-se também disputas internas no exército, provavelmente haviam grupos dispostos a cumprir até o último momento às ordens do presidente, enquanto outros preferiam livrar suas vidas, fugiam e/ou se entregavam ao inimigo. Grandes problemas balizaram a expedição militar paraguaia no Rio Grande do Sul, as diferenças sociais, classistas, se mostraram evidentes. Compreender esses processos de forma global permite lançar-se luz à questões de fundamental importância para se compreender a formação dos Estados Nacionais na região.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Guerra na Fronteira do Rio Grande do Sul: Repensando a Guerra do Paraguai. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 4, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/66296. Acesso em: 21 abr. 2026.