Helmintos como indicadores biológicos de parâmetros de produção em propriedades leiteiras do Sul do Rio Grande do Sul

Autores

  • Marina Daneluz
  • Bruna Farias Alves
  • Giuliano Orlandi Suzin
  • Maria Izabel de Tourinho Torres
  • Helenice de Lima Gonzalez
  • Tânia Regina Bettin dos Santos

Palavras-chave:

helmintos, parasitos, gastrintestinais, bovinocultura, leite, bioindicadores

Resumo

A bovinocultura de leite vem crescendo consideravelmente nos últimos anos, sendo uma das principais formas de exploração no setor pecuário. Os sistemas de produção leiteira caracterizam-se por uma exploração mais intensiva, com maior densidade animal por área. Assim, os helmintos são excelentes indicadores biológicos do manejo, pois um aumento exacerbado desses agentes traduz falhas e consequentemente perdas econômicas relacionadas ao atraso no crescimento e produtividade reduzida, além de gastos com químicos e perda de animais. O objetivo do presente trabalho foi comparar a incidência de Super Família Strongyloidea em terneiras oriundas de duas propriedades localizadas ao sul do Rio Grande do Sul, com diferentes sistemas de produção, correlacionando com tipo de exploração, índice de condição corporal e idade à primeira inseminação. Foram coletadas amostras de fezes de terneiras com idade de 1 a 11 meses, avaliada a condição corporal desses animais em uma escala de 1 a 5 e coletados dados através de questionário por um período de 5 meses. As amostras de fezes foram encaminhadas ao Laboratório de Doenças Parasitárias da Universidade Federal de Pelotas onde foi realizada a técnica de Gordon e Whitlock, para a análise de ovos por grama de fezes (opg). Posteriormente, os dados foram compilados em planilhas de Excel para comparação entre as propriedades. A partir dessas análises, foi possível perceber a ocorrência de Super Família Strongyloidea na propriedade 1, que apresentava uma média de 2.461 opg, quanto ao sistema de exploração, é de baixa tecnificação e a criação de terneiras é realizada em casinholas de madeira em piquetes não rotacionados. A média de condição corporal desses animais foi de 2,7. Além disso, a propriedade não tem calendário de tratamentos estratégicos com anti-helmínticos e a idade da primeira inseminação é de 36 meses. A propriedade 2, apresentou uma média de 95,5 opg, o sistema de exploração é mais tecnificado, a criação das terneiras é realizada em casinholas de cimento higienizadas diariamente e há calendário de tratamento com anti-helmíntico. A média de condição corporal das terneiras foi de 3,2, estando superior à propriedade 1, permitindo que a primeira inseminação ocorra aos 18 meses de idade. Concluiu-se que a propriedade 1 por não realizar boas práticas de manejo como, higienização e/ou rotação no local de criação de terneiras somado a ausência de um calendário estratégico de tratamento anti-helmíntico, aumenta a contaminação por helmintos o que reflete diretamente na baixa condição corporal e consequentemente retardando a idade à primeira inseminação. Assim, a presença de parasitas é comum uma vez que a maioria dos helmintos são geohelmintos, e estarão presentes em sistemas pastoris, entretanto, quando há um aumento na população desses agentes, caracterizando uma parasitíase ou mesmo parasitose é um indicativo de erros no sistema de criação, os quais devem ser detectados e corrigidos para evitar perdas econômicas.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Helmintos como indicadores biológicos de parâmetros de produção em propriedades leiteiras do Sul do Rio Grande do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/66019. Acesso em: 22 set. 2026.