Presença do Músculo Braquiorradial em Carnívoros Silvestres do Bioma Pampa.

Autores

  • Lucas dos Santos
  • Natan da Cruz de Carvalho
  • Julia Gabriela Wronski
  • Karine de Mattos
  • Paulo de Souza Junior

Palavras-chave:

anatomia, animal, carnívoros, silvestres, músculo, braquiorradial, bioma, Pampa

Resumo

O estudo da anatomia de animais silvestres é importante, pois permite estabelecer embasamento para procedimentos veterinários em unidades de conservação e parques zoológicos, além de correlações filogenéticas. Por estarem no topo da pirâmide alimentar, os carnívoros têm uma grande importância ecológica, pois podem regular a população de presas naturais de forma que não se multipliquem exponencialmente e venham a causar desequilíbrio ambiental ou prejuízos à lavoura. O músculo braquiorradial tem sido descrito em alguns carnívoros, seres humanos e primatas. No cão doméstico sua ocorrência varia entre 30 a 55%, sendo unilateral em cerca de 15% dos casos. Em gatos domésticos é um músculo proeminente. Usualmente apresenta-se como uma faixa muscular delgada e longa que se origina na crista supracondilar lateral percorrendo sobre o músculo extensor radial do carpo até se inserir na extremidade distal do rádio, em estreita relação com a veia cefálica. Sua principal função é contribuir para a rotação lateral do rádio (supinação), movimento este importante para a captura da presa pelos carnívoros. Este trabalho tem o objetivo de verificar a presença do músculo braquiorradial em espécies carnívoras do bioma Pampa. Para tal, foram dissecados dezoito membros torácicos de nove cadáveres adultos das seguintes espécies: uma fêmea e um macho de Cerdocoyon thous (graxaim-do-mato), dois machos de Lycalopex gymnocercus (graxaim-do-campo), uma fêmea e um macho de Galictis cuja (furão menor), uma fêmea de Procyon cancrivorus (mão-pelada) e duas fêmeas de Leopardus geoffroyi (gato-do-mato-grande). Estes espécimes foram recolhidos mortos nas rodovias da mesorregião sudoeste rio-grandense (autorização IBAMA/SISBIO 33667-1) e, após fixados e conservados em solução de formaldeído a 10%, dissecados oportunamente. O músculo braquiorradial esteve presente bilateralmente em todos os cadáveres analisados, a exceção de um exemplar macho de L. gymnocercus que o exibiu apenas no antímero direito. Apresentou-se relativamente mais desenvolvido no L. geoffroyi, P. cancrivorus, G. cuja e mais discreto nos canídeos L. gymnocercus e C. thous. Tal constatação parece estar relacionada ao fato de as primeiras espécies citadas usarem os membros torácicos não só para locomoção como também para outras funções como a captura de presas e movimentos de escalada. Estas funções demandam movimentos mais apurados de rotação do antebraço. Este tipo de levantamento é relevante pois elucida como a forma de uma estrutura anatômica está diretamente relacionada aos hábitos de locomoção e caça em vida livre. Conclui-se, portanto, que o músculo braquiorradial está presente nas seguintes espécies de carnívoros Lycalopex gymnocercus, Cerdocyon thous, Leopardus geoffroyi, Procyon cancrivorus e Galictis cuja.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Presença do Músculo Braquiorradial em Carnívoros Silvestres do Bioma Pampa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/66018. Acesso em: 22 set. 2026.