Obtenção de Ácidos Graxos a Partir da Biomassa de Chaetoceros calcitrans em Cultivo Mixotrófico

Autores

  • Natália Ribeiro
  • Daniela Almeida Nogueira
  • Carlos André Veiga Burkert

Palavras-chave:

Chaetoceros, calcitrans, glicerol, ácidos, graxos

Resumo

A biomassa microalgal vem sendo estudada principalmente em função de seu aporte de lipídios, sendo que as principais aplicações estão no enriquecimento de rações para peixes, possibilidade de uso para produção de biodiesel e fonte de ácidos graxos essenciais na dieta humana. Chaetoceros calcitrans é uma microalga marinha unicelular, pertencente à classe Bacillariophyceae, amplamente empregada na alimentação de larvas de crustáceos marinhos e moluscos bivalves. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a utilização da glicerina como fonte de carbono no cultivo mixotrófico da microalga marinha Chaetoceros calcitrans, visando à produção de lipídios. Os cultivos mixotróficos foram realizados em fotobiorreatores dispostos em uma estufa com fotoperíodo (Eletrolab EL-202, Brasil). Utilizou-se o meio Conway, formulado com água marinha natural enriquecida com nutrientes e com salinidade ajustada em 28 ups. Como fonte de carbono adicional, foi utilizada glicerina de grau analítico (GGA) ou glicerina residual (GR), oriunda da produção de biodiesel, acrescentada ao meio Conway em diferentes concentrações (0,03 M, 0,05 M e 0,07 M). As condições de cultivo foram: temperatura de 24 ± 1°C, irradiância de 3000 Lx, fotoperíodo integral e agitação por borbulhamento de ar. Ao término dos experimentos foi realizada a quantificação de lipídios utilizando o método de Bligh & Dyer e para a determinação do perfil de ácidos graxos foi empregado um cromatógrafo gasoso Varian modelo 3400CX (Califórnia Palo Alto EUA). Quando utilizada a GGA, o maior teor de lipídios (44,00%) foi obtido na concentração de 0,05 M. Quando utilizada a GR, os melhores resultados foram alcançados nas concentrações de 0,03 M e 0,05 M (42,51% e 41,48%, respectivamente). Os perfis de ácidos graxos foram determinados nas biomassas dos cultivos em GGA e GR na concentração de 0,05 M. Do total de ácidos graxos saturados encontrados (52,6% em GGA e 42,6% em GR), os ácidos graxos com maior representatividade na biomassa de C. calcitrans foram o ácido tretadecanóico (14:0), atingindo 17,9% com a GRA e 12,8% com a GR, e o ácido hexadecanóico (16:0), com teores de 28,8% (GRA) e 22,5% (GR). Para os ácidos graxos monoinsaturados o teor foi de 28,7% para GRA e 27,0% para GR, sendo que o ácido octadecenóico (18:1n-9) atingiu 21,1% e 17,7% para GRA e GR, respectivamente. Já para os ácidos graxos poli-insaturados, foram obtidos 18,7% em GGA e 30,4% em GR. Os maiores percentuais obtidos, no cultivo em meio contendo a GR, foram para o ácido α-linolênico (18:3 n-3), 11 %, e para o ácido ɣ - linolênico (18:3 n-6), 9,7 %. Os ácidos ecosapentanóico (EPA) e docosahexanóico (DHA) foram encontrados em menores percentuais (4,1% e 0,9%, respectivamente). O perfil de ácidos graxos obtido na biomassa microalgal cultivada em GR possibilita seu uso tanto para a produção de biodiesel, quanto como fonte de ácidos graxos para a dieta humana e animal. AGRADECIMENTOS: À CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal d

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Obtenção de Ácidos Graxos a Partir da Biomassa de Chaetoceros calcitrans em Cultivo Mixotrófico. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/66006. Acesso em: 22 set. 2026.