A pesquisa em ciências humanas a partir de Bakthin e do paradigma indiciário de Ginzburg

Autores

  • Nathan Bastos
  • Fabiana Giovani

Palavras-chave:

Bakhtin, ciências, humanas, paradigma, indiciário

Resumo

Este trabalho traz à discussão os primeiros passos que estão sendo dados no projeto de pesquisa Bakhtin e a educação: a ética, a estética e a cognição constituídas através do estudo dos gêneros do discurso e das práticas de letramento. Estamos, primeiramente, pesquisando o paradigma indiciário de Carlo Ginzburg, que é uma escolha metodológica pautada em um modelo epistemológico surgido na área das ciências humanas como estudo científico de rigor flexível. A metodologia remonta as mais antigas civilizações humanas, esteve no berço das sociedades de caçadores, que decodificavam em pistas, às vezes mudas, o caminho que a presa havia percorrido e que era refeito a partir destas. O mesmo método é o que foi empregado pelos adivinhos de sociedades nas quais se acreditava em um contato entre deuses e homens por meio de signos escritos nos corpos humanos ou manifestados na natureza. O papel do conhecedor da mitologia dessa cultura seria analisar esses dados e interpretar a partir dali o que queriam dizer, qual a mensagem que traziam. Na mesma fonte bebem ciências indiciárias como a história e a medicina modernas. Nessa perspectiva, o paradigma indiciário se torna uma espécie peculiar de estudo, empreendido a partir dos indícios encontrados pelo pesquisador, sobre os quais constrói um caminho interpretativo, com foco no estudo do peculiar e individual. Aos poucos, tentamos ligar os estudos de Ginzburg com os textos do filósofo russo Mikhail Bakhtin. Este autor e o círculo de estudiosos que reuniu, pensaram, no início do século XX, em uma ciência diferente, pautada em valorizar a linguagem enquanto interação entre sujeitos, sendo estes constituídos na/pela linguagem viva e concreta. Estes teóricos, então, pensaram em uma filosofia da linguagem que valoriza o sujeito como vivo e falante (único e irrepetível) que é. Impossível de ser estudado fora da dinâmica da criação verbal viva; ao valorizarem a linguagem por essa concepção, resolvem estudar a vida e seu movimento dinâmico de (re)fazer. Postos os pressupostos de ambos os pilares teóricos em diálogo aqui, procuraremos em Bakhtin indícios para compreender o que este propõe como Metodologia das ciências humanas, lendo este autor e seus companheiros do círculo, além de estudiosos de sua obra na contemporaneidade. Nossa pesquisa é uma compreensão ativa das leituras que fazemos de Bakhtin e de Ginzburg. A pergunta que tentaremos responder é Como os estudos em ciências humanas se desenvolveram a partir das contribuições bakhtinianas? E, por fim, em que medida é possível dialogar os pressupostos de Bakhtin e do círculo com os estudos do paradigma indiciário? Com esses pressupostos, estamos analisando produções textuais de alunos do ensino médio. Embora, estudar o homem, a linguagem e a enunciação sejam formas de estudo que não compreendem um fim absoluto, sob estes três itens as respostas sempre serão incompletas e o dizer inacabável, sempre suscitando contra-palavras.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

A pesquisa em ciências humanas a partir de Bakthin e do paradigma indiciário de Ginzburg. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65977. Acesso em: 22 set. 2026.