Nós e a gente: Variação ou mudança?
Palavras-chave:
Variação, linguística, mudança, pronomesResumo
Este trabalho visa analisar a alternância do uso de nós e a gente, usados para designar a primeira pessoa do plural. A relevância da pesquisa se dá por ser pioneira na região de Bagé, localizada na campanha do estado do Rio Grande do Sul. Além disso, essa pesquisa poderia dar subsídios para que professores do ensino básico lidem com a variação do nós e do a gente no contexto escolar, de maneira a discutir sobre a questão em sala de aula a partir de aspectos do uso efetivo da língua. Um dos objetivos é investigar se a alternância está em processo de mudança ou variação com certa estabilidade. Outro objetivo é apurar os fatores linguísticos e extralinguísticos que condicionam a alternância dos pronomes. Segundo o estudo de Omena (2003), há fatores extralinguísticos e linguísticos que favorecem ou desfavorecem o uso de uma ou outra variante. Entre os extralinguísticos, a autora menciona a idade e a escolaridade do falante. Entre os linguísticos, Omena discute a distância fonética (que se refere ao fato de que quanto mais diferente for a conjugação do verbo na terceira pessoa do singular e na primeira do plural maior será a tendência de o falante usar o pronome nós) e o princípio do paralelismo (que diz respeito ao fato de que, após o falante optar por uma variante, tenderá a usá-la novamente ao fazer referência às mesmas pessoas). A pesquisa, que tem como pressuposto teórico a sociolinguística quantitativa (Labov, 1972), será feita a partir de coletas realizadas pelo Banco de Dados de Língua Falada de Bagé, que está em processo de constituição, no entanto já conta com treze entrevistas e sete transcrições. A escolha dos sujeitos de pesquisa analisados se dará levando em conta a estratificação do Banco de Dados de Língua Falada de Bagé, segundo a qual os falantes são divididos em duas faixas etárias (entre vinte e cinco e cinquenta anos e mais de cinquenta anos) e em três níveis de escolaridade (um a quatro anos de escolaridade; cinco a oito anos; nove a onze anos). Esses fatores parecem condicionar a variação entre a variante inovadora (a gente) e a conservadora (nós). Esta pesquisa está em processo de elaboração, portanto ainda não apresenta resultados. Espera-se com esse trabalho mostrar que há fatores na língua que condicionam essa variação e que, portanto, ela não é aleatória.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Nós e a gente: Variação ou mudança?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65972. Acesso em: 23 set. 2026.