As representações da morte na obra Apontamentos de História Sobrenatural, de Mario Quintana
Palavras-chave:
poesia, -, morte-, Mario, QuintanaResumo
O presente trabalho de pesquisa visa apresentar as representações da morte na obra Apontamentos de História Sobrenatural , de 1976, do poeta gaúcho Mario Quintana. A importância de tal reflexão, baseia-se no medo constante da morte que permeia a sociedade ocidental moderna. Nesta obra o poeta apresenta vários poemas dispostos de forma cronológica, o que é uma inovação nas obras de Quintana. Essa característica de organização dos poemas parece justificar-se no próprio nome da obra: Apontamentos, que remete a anotações e reflexões sobre a vida e o cotidiano. As imagens arquetípicas presente na poesia de Quintana denotam os questionamentos sobre a passagem temporal e as representações da morte, sendo esta última a temática norteadora de Apontamentos de História Sobrenatural. Tal produção revela a angústia e o medo da morte, que é reflexo de um homem moderno que tenta perpassar suas limitações através da poesia. Assim, a morte é irrefutavelmente a maior limitação humana, pois todos os seres estão destinos a ela, por isso, a angústia diante do tempo que flui em direção à morte desperta o conflito existencial entre o homem com sua possibilidade de finitude. Logo, o poder da imaginação surge como uma das alternativas que a arte literária dispõe para amenizar o medo aterrorizante diante da morte. O aporte teórico utilizado para esta pesquisa está baseado nas ideias de Octavio Paz e Antonio Candido, no que concerne ao estudo da lírica. Além dos pensadores Martin Heidegger, Jean Delumeau, Phillipe Ariès, Ernest Becker e Françoise Dastur. Estes forneceram o instrumento para a exegese dos poemas de Apontamentos de História Sobrenatural e ajudaram na identificação da temática norteadora da mesma. Através da exegese de poemas, como O tempo e o vento, Pequeno poema didático e O Tempo, por exemplo, identificamos a presença da morte ratificada através de objetos cotidianos que parecem levar ao terrível destino do fim da existência: escadas que parecem dar acesso a outro plano, relógios que contabilizam a chegada da hora da morte, espelhos que refletem além da imagem materializada, o retrato que se completa somente na hora da morte (pois não haverá outra foto daquele sujeito), as casas velhas com seus elementos típicos: porões, sótãos, corredores intermináveis, etc, além de elementos próprios do imaginário sobrenatural como anjos, alma, Deus, fantasmas, etc. Tal análise demonstra, por fim, uma revolta de um sujeito lírico face ao fluir temporal que direciona os seres à morte. Nesta revolta, emerge o sentimento de luta numa tentativa de sobrepuja-la. Concluímos, assim, que o desvelamento do mistério da morte torna-se um meio de amenizar a inquietude do homem diante desse destino aterrorizante. E essa leitura contribui para aprimorar a crítica desse poeta sul-riograndense, principalmente nesse viés existencial.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
As representações da morte na obra Apontamentos de História Sobrenatural, de Mario Quintana. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65965. Acesso em: 23 set. 2026.