Alternativas de Destinação do Lodo Orgânicos Gerado em Estações de Tratamento de Água

Autores

  • Etchiel Moreira
  • Marcio Baldiserra Cure
  • Vivian Bernardo Azevedo
  • Natiele Medina Oliveira
  • Beatriz Stoll Moraes
  • Luciana Borba Benetti

Palavras-chave:

Lodo, Orgânico, Lei, 11445/2007, Geração, Energia, Alternativa

Resumo

A necessidade de tratamento de água para consumo humano é uma realidade vivida na maioria das cidades do mundo em função da contaminação dos recursos hídricos pelas atividades antrópicas. Para que se atinjam os parâmetros de potabilidade exigidos pela Portaria nº 2914, do Ministério da Saúde, de 12 de dezembro de 2011, faz-se necessário a utilização de coagulantes metálicos ou orgânicos para remoção das impurezas da água bruta através dos processos de floculação/coagulação para posterior decantação. Para isto, podem ser utilizados diferentes tipos de coagulantes principais, como os metálicos dando como exemplo o cloreto férrico, o sulfato de alumínio e o policloreto de alumínio (PAC) que são amplamente utilizados no Brasil e, os orgânicos extraídos de casca de Acácia Negra como o Vetaorganic®, o Tanfloc® SG e o Acquapol ® C1, cujo uso tem se difundido principalmente pela Europa. No Brasil somente duas ETAs utilizam coagulantes orgânicos como coagulante principal, sendo uma delas localizada do Rio Grande do Sul, mais precisamente no Município de Novo Hamburgo. Os subprodutos (lodos) gerados a partir do uso dos coagulantes tem sido objeto de estudo de diversas pesquisas em função dos fortes impactos no meio ambiente e das suas potencialidades de uso. Na Estação de Tratamento de Água da São Gabriel Saneamento, no município de mesmo nome, é utilizado o Policloreto de Alumínio (PAC), rico em alumínio. O lodo gerado com PAC é despejado diretamente no Rio Vacacaí sem tratamento, causando sérias consequências ambientais no rio e no seu entorno. Visando minimizar os impactos e enquadrar as Estações com a Lei nº 11.445/2007 que estabelece as Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico e dá prazo até final de 2014 para dar destino corretos aos lodos gerados nestas, estão sendo gerados lodos orgânicos com o coagulante Acquapol ® C1 18 (em bancada), visando sugerir a troca de tecnologia para a estação local, objetivando seu enquadramento na lei e utilização nobre do lodo gerado em escala real, através de testes de queima e teor de CHNO, para a comprovação da possibilidade de uso desse lodo para geração de energia. Testes preliminares com lodo orgânico (COMUSA) comparado com lodo ao alumínio (CORSAN Canoas) resultaram valores satisfatórios: 1) o poder calorífico resultante de 1.040 cal/g para o lodo orgânico enquanto que o lodo ao alumínio foi de 366 cal/g; 2) Perda ao fogo foi de 40,5% para o orgânico e 23,3% para o metálico; 3) A porcentagem de carbono na análise de CNOH foi de 15% para o orgânico e 5% para o metálico. Todos os valores apontam para a possibilidade da sua utilização como fonte alternativa de energia, exemplificando o poder calorífico que fica próximo ao da lenha (1.300 cal/g). Estes resultados incentivaram novos testes agora para as condições do Rio Vacacaí, onde a qualidade da água é bem melhor que a testada no Rio dos Sinos. Os lodos já foram gerados e aguardam o resultado das análises.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Alternativas de Destinação do Lodo Orgânicos Gerado em Estações de Tratamento de Água. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65943. Acesso em: 22 set. 2026.