Um estudo sobre as Comunidades Terapêuticas na Região das Missões e Fronteira Oeste.

Autores

  • Tiago Andrade
  • Maicon Luis Minho
  • Elisângela Maia Pessôa

Palavras-chave:

Rede, Crack, Saúde, Mental, Comunidade, Terapêutica

Resumo

O projeto de pesquisa Interfaces da Rede de atendimento Assistencial aos dependentes de Crack na Região das Missões e Fronteira Oeste do Estado do Rio Grande do Sul analisou desde agosto de 2011 como está estruturada a rede assistencial de saúde pública e privada no atendimento aos dependentes de Crack em ambas as regiões. O mapeamento analisou as formas de acesso, estrutura física, recursos humanos e serviços destinados aos dependentes e familiares, por meio de entrevistas com aplicação de formulário. A coleta de dados ocorreu em diferentes instituições, sendo elas, comunidades terapêuticas, alas de desintoxicação de hospitais públicos e o Centro de Apoio Psicossocial Álcool de Drogas. O trabalho tem como objetivo destacar algumas realidades vivenciadas pelas comunidades terapêuticas. Quanto à metodologia do estudo destaca-se como suporte teórico o Método Dialético-Crítico, que visa analisar os dados, desvelando as interconexões entre os fenômenos, em que o instrumento de análise enquanto método de apropriação do concreto pode ser entendido como crítica (GADOTTI, 2003, p. 30). As entrevistas foram realizadas com gestores e/ou profissionais com aplicação de formulário com perguntas abertas e fechadas. A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética da Unipampa. Como resultado preliminar percebe-se que algumas das instituições desconhecem as legislações que orientam seus trabalhos dando ênfase em grande maioria as atividades religiosas. A falta de qualificação por parte de alguns profissionais que já não atendem grande parte das necessidades apresentadas pelos usuários, pois não participam de capacitações que possibilitem reciclagem de conhecimento. Quanto ao plano de trabalho profissional é inexistente em todas as instituições visitadas. A falta de fiscalização dos órgãos responsáveis como ministério público, secretarias municipais e conselhos de direito é um fator preocupante. Há poucas instituições bem amparadas, com profissionais qualificados e com suas bases bem fundamentadas em conhecimentos específicos sobre a regulamentação, funcionamento e suporte teórico adequado. Poucos profissionais, contratos de trabalho precários em relação à remuneração e carga horária. Os espaços físicos são limitados e insuficientes, não existe um atendimento exclusivo para cada especificidade de dependência química. As comunidades terapêuticas são exclusivamente masculinas nestas regiões o que dificulta o atendimento das mulheres dependentes. As seis cidades que abrigam comunidades terapêuticas são nestas regiões são Alegrete, São Borja, São Luiz Gonzaga, Santana do Livramento, Uruguaia e Santo Ângelo. Fazem-se necessários novos estudos sobre a questão do atendimento de dependentes de Crack, pois estes podem gerar novas interfaces de atendimento que garantam ações de prevenção e apoio à família, gerando novas abordagens terapêuticas que disponibilizem serviços com maior qualidade e possibilidades de resiliência e alcance de ampliação de direitos à cidadania.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Um estudo sobre as Comunidades Terapêuticas na Região das Missões e Fronteira Oeste. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65835. Acesso em: 22 set. 2026.