Rock e os Movimentos Sociais na Década de 1980

Autores

  • Luane Trindade
  • Carlos Roberto Rangel

Palavras-chave:

Rock, Sociedade, Juventude

Resumo

O rock é mais que um gênero musical, tornou-se um movimento sociocultural protagonizado pela juventude. Nos anos 1980, no Brasil, houve uma expansão desse gênero que agregou várias tendências da época Como new wave, punk, pop, reggae e soul music mostrando-se uma fonte de referências e manifestações da juventude brasileira naqueles anos de grave crise econômica e retorno ao modelo democrático liberal (década de 1980). O objetivo do Projeto de Pesquisa intitulado Rock e cultura política no Brasil(1980-1990) foi compreender a relação existente entre as músicas com forte crítica social das bandas Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Ira, Titãs, Engenheiros do Hawaii, Plebe Rude, Legião Urbana e Capital Inicial, com o contexto socioeconômico e político brasileiro da década de 1980. Utilizaram-se fontes bibliográficas como Jesús Martin-Bárbero e Stuart Hall para a compreensão das mediações que existem entre a cultura musical e a sociedade de consumo. Em Arthur Dapieve e Paulo Encarnação buscou-se a compreensão e posicionamento das bandas de rock sobre a política e a sociedade brasileira dos anos 1980. Procurou-se, também, destacar o processo de codificação e decodificação das músicas escritas neste período, considerando que havia uma liberdade de decodificação por parte do público ouvinte. Havia, no entanto, limitações de ordem técnica, linguística e ideológica no processo de produção, difusão e consumo das músicas como bens simbólicos. Após o cruzamento entre o contexto histórico-social brasileiro, com o conteúdo das letras das músicas, conclui-se: as letras eram críticas, mas não tinham filiação ideológica revolucionaria; havia a descrença nos partidos; verificou-se o ceticismo com o futuro do Brasil; percebeu-se a descrença no amor e na fé religiosa; havia um desconforto com as comparações que se faziam entre a geração utópica dos anos de 1960 e eles, os chamados geração Coca-Cola; a indústria fonográfica mercantilizou os temas políticos com auxílio da TV e de grandes eventos, como o Rock in Rio (1985). Os resultados alcançados apontam para um processo de redefinição identitária do público ouvinte (jovens) por meio de novos sentidos propostos para conceitos de pertencimento, consagrados nos discursos políticos oficiais, tais como ser brasileiro, ser cidadão, ser jovem, ser trabalhador, ser eleitor. Tal redefinição desnaturaliza os sentidos cristalizados pelos discursos e transgride ao propor a negação radical diante das identificações disponibilizadas pela cultura política oficial.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Rock e os Movimentos Sociais na Década de 1980. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65822. Acesso em: 22 set. 2026.