RECURSOS MIDIÁTICOS E SUA INFLUÊNCIA NA COMPOSIÇÃO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS: A Guerra do Iraque e o destino manifesto estadunidense

Autores

  • Yesa Ormond
  • Renato José da Costa

Palavras-chave:

Iraque, -, Destino, Manifesto, Mídia

Resumo

Quando se faz referência ao Oriente Médio, é comum a associação imediata a termos como: terrorismo, repressão e guerras. Há distorções e concomitantes generalizações, nas quais culturas, povos, línguas e territórios são vistos como uma entidade homogênea. Após o episódio do World Trade Center, em 11 de Setembro de 2001, o mundo árabe/islâmico passou a ser visto, com mais intensidade, como lar terrorista, e, ao ter sua imagem propagada como tal por meio de discursos políticos e notícias veiculadas , tornou-se alvo de intensas intervenções. Destaca-se a experiência do Iraque país geopoliticamente importante, devido às suas expressivas reservas de petróleo e gás natural que tem vivenciado profunda instabilidade interna decorrente, em boa parte, da interferência dos Estados Unidos. Em 2003, edifica-se um discurso no qual um governo, supostamente detentor de armas de destruição em massa, que não segue os ideais de liberdade e democracia, ameaça o Sistema Internacional. Esquece-se, por vezes, que tais armamentos nunca foram encontrados e que por trás do governo estadunidense encontra-se um lobby empresarial beneficiando-se do controle de recursos que o Iraque e outros países da região dispõem. Entretanto, difundir os mecanismos de um bom governo faria parte da ideologia estadunidense, incumbida desde Theodore Roosevelt até George Bush e Barack Obama a dar continuidade ao seu destino manifesto. Atua, ao lado destes ideais, a mídia que, ao ter seu poder difundido, transcende fronteiras. No caso iraquiano, percebe-se a participação das redes CNN e Fox News, que acompanharam as forças armadas estadunidenses e, por conseguinte, geraram uma imagem direcionada do conflito, omitindo realidades do campo de batalha ao dividir as partes litigantes entre as responsáveis pela interferência e aquelas que deveriam ser dominadas. Diante de tal conjuntura, se teve por objetivo, a partir do método indutivo por meio de levantamentos históricos e notícias disponibilizadas pela mídia corrente explorar a situação de um conflito específico e demonstrar que altas doses de romantizações midiáticas e ideologias podem influir em violações ao Direito Internacional dos Direitos Humanos e à soberania de um país. Ainda, encobrir lacunas que justificariam a não intervenção. Não fez parte, diretamente, desta pesquisa, a análise acerca da legitimidade de Saddam Hussein no poder e de suas ações, mas notou-se que sua postura e sua longa permanência no poder, de 1979 até 2003, também constituíram justificativa para a atuação estadunidense. Entendeu-se, ademais, que, mesmo que haja tentativas de interromper os meios que se mostram contrários ao que é propagado, provavelmente, maiores serão as contestações. É indiscutível que o que passou a ser evidenciado, através de divulgações e estudos alternativos, abrirá, paulatinamente, um caminho para mais questionamentos. Concebe-se, portanto, uma demanda para que se reorganize e se repense o modo como se dão os jogos de poder.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

RECURSOS MIDIÁTICOS E SUA INFLUÊNCIA NA COMPOSIÇÃO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS: A Guerra do Iraque e o destino manifesto estadunidense. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65801. Acesso em: 23 set. 2026.