Caracterização das Sequelas Comportamentais de Um Modelo Animal de Isquemia-Reperfusão Cerebral Bilateral

Autores

  • Priscila Sosa
  • Aline Vieira
  • Caroline Altermann
  • Francielli Cibin
  • Pâmela Billig Mello Carpes
  • Helen Lidiane Schimidt

Palavras-chave:

Acidente, Vascular, Encefálico, Locomoção, Sensibilidade, Estresse, oxidativo, Espécies, Reativas, Oxigênio

Resumo

O acidente vascular encefálico (AVE) é a terceira causa de mortalidade e incapacidade no mundo. O AVE se apresenta em duas fases: a isquemia, que leva a uma privação de oxigênio no encéfalo, e a reperfusão, que é a volta da irrigação sanguínea, gerando acúmulo de radicais livres, culminando com a morte neuronal. Tendo em vista o grande número de casos de AVE no mundo todo, este estudo objetiva caracterizar as sequelas comportamentais de um modelo animal de isquemia-reperfusão cerebral (IR) que pode ser útil para o estudo de terapias neuroprotetoras e/ou terapêuticas. A amostra foi composta por 20 ratos Wistar, divididos em dois grupos: isquemia (ISQ) e controle (SHAM), com 10 animais cada. O grupo ISQ, após anestesia, passou pela cirurgia de IR; após a incisão longitudinal (2 a 3 cm) progredindo com dissecação subcutânea a até o plano vascular para a oclusão temporária bilateral das artérias carótidas, a oclusão foi mantida por 30 minutos e seguida pela liberação do fluxo arterial (reperfusão) e sutura. O grupo SHAM passou pelos mesmos procedimentos, aporem sem oclusão arterial. Para avaliar o desempenho comportamental dos animais foram usados os seguintes testes: (1) Campo Aberto, que consiste em uma arena quadrada cujo assoalho é dividido em quadrantes, servindo para avaliar a atividade locomotora e exploratória (número de cruzamentos e elevações); (2) RotaRod, uma marra giratória que gira em velocidade constante na qual o animal é colocado para verificação da sua capacidade de equilibrar-se sobre a mesma (coordenação motora); e, (3) Tail Flick, equipamento que mensura a capacidade de percepção de estímulos nociceptivos. Para avaliação bioquímica foram retirados, bilateramente, amostras do córtex pré-frontal, hipocampo e estriado. Os tecidos foram homogeneizados e preparados para posteriores medidas bioquímicas relacionadas ao estresse oxidativo (TBARS Substâncias Reativas ao Ácido Tiobarbiturico, e EROS Espécies Reativas de Oxigênio). Para a análise estatística, após verificação da distribuição dos dados (teste de Shapiro-Wilk), utilizamos o teste t de Student para as análises relativas ao Tail Flick, TBARS e EROS, e, o teste de Mann-Whitney para as análises relativas ao RotaRod e Campo Aberto. Foram considerados significativos valores de P˂0,05. Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética para Uso de Animais/UNIPAMPA (protocolo 13/2012). Não foram observadas diferenças entre o desempenho dos animais do grupo SHAM e do grupo ISQ no teste de Campo Aberto (cruzamentos: P=0,134 e elevações: P=0,055), e no Tail Flick (P=0,524). Porém, observou-se diferença nos resultados do RotaRod (P=0,039). Nas medidas bioquímicas observou-se diferenças entre os grupos nas medidas de EROS em todos os tecidos e de TBARS no hipocampo e no estriado. Desta forma verifica-se que a IR alterou o controle motor dos animais, sendo que isto pode estar relacionado com o acúmulo de radicais livres nos tecidos neurais após o procedimento. Sendo assim, podemos afirmar que o modelo de IR utilizado causou alterações comportamentais nos animais e aumento dos radicais livres nos tecidos que foram expostos ao procedimento.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Caracterização das Sequelas Comportamentais de Um Modelo Animal de Isquemia-Reperfusão Cerebral Bilateral. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65697. Acesso em: 22 set. 2026.