Avaliação Da Pressão Plantar Em Corredores De Longa Distância
Palavras-chave:
biomecânica, impacto, fadiga, corrida, baropodometriaResumo
Corridas de longa duração são conhecidas por seus benefícios aeróbicos e prevenção de doenças cardiovasculares. Contudo, são caracterizadas por promoverem cargas cumulativas sobre articulações e tecidos moles, podendo afetar a distribuição da pressão plantar (PP). Não raro, corredores têm suas atividades interrompidas temporária ou permanentemente por desenvolverem fasciíte plantar, bolhas, calos ou outras lesões cutâneas, originadas por sobrecarga cumulativa na PP. Conhecer as alterações da distribuição da PP após o exercício permite traçar estratégias de prevenção destas lesões cutâneas. O objetivo deste estudo foi identificar alterações na distribuição da PP promovida pela corrida de longa duração em corredores antes de depois de uma prova de meia maratona. Neste estudo avaliamos atletas antes e depois de percorrer percursos de 10 e 21 km em uma competição. Participaram do estudo 38 sujeitos (10 mulheres e 28 homens, média±desvio-padrão para idade de 39,97±10,34 anos, massa corporal 67,85±12,78 kg e estatura 1,70±0,08m). A PP foi mensurada na posição ortostática, com pés descalços, olhando para um ponto fixo, por 30 segundos usando um baropodômetro (Footwork Pro). Para as análises, a base de suporte dos pés foi dividida em quatro quadrantes (anterior direito e esquerdo, posterior direito e esquerdo). A PP foi comparada entre os pés e entre as regiões do pé por meio de estatística paramétrica. Projeto aprovado no comitê de ética em pesquisa com o protocolo número 0062011. Em atletas de 10 km, a PP apresentou-se maior na região do antepé, para ambos os pés (P<0,05) após a prova. Para corredores de 21 km foi observada diminuição da PP no retropé direito (P<0,05) e aumento da PP no antepé esquerdo (P<0,01) depois de completarem o percurso. Neste estudo evidenciou-se que a duração da prova afeta a distribuição da PP, sugerindo que um nível maior de demanda física repercute de forma diferente nessa variável. Isso tanto pode se dar por alteração no controle postural quando por alterações na sensibilidade dos mecanorreceptores plantares, componentes responsáveis pelo feedback postural e proteção da pele contra sobrecarga de pressão. Após o percurso mais breve, nota-se que a alteração aconteceu de forma simétrica. Isso indica que, mesmo que haja alguma mudança no padrão de aplicação da PP, o controle da postura estática após a prova ainda é eficiente. Já na prova mais longa, houve aumento da PP em uma região do pé direito e de outra no esquerdo, indicando assimetria e dificuldade no controle da postura. Estas alterações podem resultar de fadiga não só de grandes grupos musculares, mas também de músculos pequenos que cruzam o tornozelo e que podem afetar a mecânica da pisada ao longo da prova. Adicionalmente, os resultados sugerem que corridas de média a longa distância acarretam mudanças na descarga de peso afetando a PP. As implicações dessas alterações para um aumentado risco de lesão ou desconforto requerem maior investigação.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Avaliação Da Pressão Plantar Em Corredores De Longa Distância. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65687. Acesso em: 22 set. 2026.