Influência da Novidade na Extinção da Memória Aversiva
Palavras-chave:
Extinção, Novidade, Estresse, pós-traumáticoResumo
O medo é um sentimento indispensável ao ser humano, pois nos protege de situações muitas vezes nocivas, porém, precisa ser considerado apenas nos momentos oportunos para não causar problemas em nosso cotidiano. Uma das principais doenças psicossociais relacionadas ao medo excessivo é o estresse pós-traumático. Para seu tratamento tem-se utilizado bastante a terapia de extinção da memória traumática. A extinção da memória, ao contrário do que o termo faz entender, é caracterizada por um novo aprendizado, e não pela extinção propriamente dita da memória aversiva. Considerando que diversos fatores podem afetar a aprendizagem e, também, considerando a importância do processo de extinção, especialmente na terapia comportamental, o objetivo deste trabalho foi investigar uma possível influência facilitatória da exposição a uma novidade na extinção da memória aversiva. Para isto, foram utilizados 30 ratos Wistar adultos machos divididos em dois grupos: grupo controle (GC) e grupo experimental (GE). Os animais foram treinados na tarefa de esquiva inibitória (EI). O aparato de EI consiste em uma caixa de acrílico, cujo assoalho é formado por barras de bronze eletrificáveis, contendo uma plataforma de madeira. Os animais são colocados na plataforma e, assim que desce da plataforma e encostam as quatro patas nas barras de bronze recebem um leve choque (0,5mA por 2s), sendo em seguida retirados e levados novamente a sua caixa de moradia. Normalmente, o choque recebido faz com que o animal forme uma memória aversiva e, em sessões posteriores na EI, não desça tão facilmente da plataforma. Em nosso protocolo, no dia seguinte ao treino iniciou-se o processo de extinção da memória aversiva, realizado em 3 sessões: 24h, 25,5h e 27h após o treino. Na extinção os animais devem aprender, gradativamente, que, ao descer da plataforma não levam mais choque, extinguindo a memória original. Os animais do GE, 30 min antes da primeira sessão de extinção, foram expostos a uma novidade por 5min; a novidade consistiu na exposição a um ambiente novo. Os resultados dos diferentes grupos foram comparados por meio do teste de Mann-Whitney, sendo considerados significativos valores de P<0,05. Verificamos que a exposição à novidade modula positivamente o processo de extinção da memória, sendo a latência de descida da plataforma menor no GE na segunda (12,60±6,96s GC x 3,56±2,45s GE;) e na terceira (23,22±15,37s GC x 4,88±3,84s GE;) sessões de extinção. Portanto, considerando situações nas quais as memórias de medo são evocadas de forma inadequada, como no caso do estresse pós-traumático, e são aplicadas terapias cognitivo-comportamentais, como o uso de técnicas de extinção da memória, nosso trabalho revelou que a exposição a uma novidade pode ser um recurso aliado à terapêutica. Todos os recursos que venham a potencializar as chances de sucesso no tratamento de psicopatologias são hoje bem-vindos, uma vez que o número de pacientes acometidos por este tipo de doença está aumentando.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Influência da Novidade na Extinção da Memória Aversiva. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65662. Acesso em: 22 set. 2026.