Efeito Neurotóxico da Exposição ao Mercúrio: Evidências da Toxicidade de Baixas Doses Diante da Exposição Crônica
Palavras-chave:
Mercúrio, Neurotoxicidade, Memória, Exposição, CrônicaResumo
Em uma grande variedade de atividades cotidianas o ser humano é exposto à compostos de metal sem atividade fisiológica. Esta exposição, mesmo que em baixas concentrações, está correlacionada significativamente com níveis elevados de toxicidade. O objetivo deste estudo foi investigar os efeitos da exposição a baixas doses de cloreto de mercúrio (HgCl2), durante 30 e 60 dias, em diferentes tipos de memória em ratos adultos. Quarenta ratos Wistar machos foram divididos em 4 grupos tratados durante 30 ou 60 dias com solução salina (controle) ou HgCl2. Depois de tratados, os animais foram avaliados considerando os testes de Reconhecimento de Objetos (RO) e Esquiva Inibitória (EI). Os testes de Labirinto em Cruz Elevado (LCE), Campo Aberto (CA) e Tail Flick (TF) foram utilizados para avaliar a ansiedade, a atividade exploratória, locomotora e dor. Os resultados da tarefa de RO foram convertidos em percentagem do tempo total de exploração e analisados através do teste-t de uma amostra (média teórica = 50%). Para os resultados da EI as comparações entre treino e teste foram realizadas por meio do teste de Wilcoxon. O desempenho entre os grupos foi comparado pelo teste de Mann-Whitney. Todos os dados foram expressos em média ± desvio padrão (exceto pela EI, mediana ± intervalo interquartil). Na sessão de teste de RO, os ratos controle e HgCl2 tratados durante 30 dias passaram um tempo significativamente maior explorando o novo objeto (66,81 ± 16,81% e 67,44 ± 17,44%, respectivamente, do tempo total de exploração explorando o novo objeto). Resultado similar aos ratos controle tratados por 60 dias (62,33 ± 4,9%), enquanto ratos tratados por 60 dias com HgCl2 apresentaram tempo similar de exploração nos objetos (53,7 ± 7,9%), ou seja, demonstraram boa memória. Na tarefa de EI, todos os grupos apresentaram diferenças na latência de descida da plataforma entre o treino e teste, mas a diferença foi maior no grupo controle 30 dias (6,0 ± 1.11s no treino x 300 ± 1,04 no teste, P=0,0089), grupo controle 60 dias (3,73 ± 0.83s no treino x 300 ± 15.38s no teste, P=0,0078 no teste de Wilcoxon) e grupo HgCl2 30 dias (6.0 ± 1.04s no treino x 32.0 ± 13.13s no teste P=0,0038), do que no grupo HgCl2 tratado por 60 dias (3,29 ± 0.71s no treino x 67,64 ± 44.53s no teste P=0,0156). Os animais tratados com HgCl2 tiveram uma latência de descida da plataforma significativamente menor do que grupos os controles na sessão de teste da EI (P<0,0001 para controle 30 dias e P=0,0092 para controle 60 dias). O tratamento não afetou a ansiedade, a atividade locomotora, exploratória e dor dos animais. Demonstramos neste estudo que a exposição a baixas doses de cloreto de mercúrio prejudica a formação da memória de longa duração. Nossos resultados sugerem, pela primeira vez, que a exposição crônica a este metal tóxico na idade adulta pode causar efeitos deletérios sobre a função cognitiva, indicando a necessidade de reduzir os níveis de mercúrio considerados livres de efeitos tóxicos.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Efeito Neurotóxico da Exposição ao Mercúrio: Evidências da Toxicidade de Baixas Doses Diante da Exposição Crônica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65661. Acesso em: 22 set. 2026.