Papel do Sistema Dopaminérgico Hipocampal na Extinção das Memórias de Medo

Autores

  • Sidnei Borges
  • Niege Alves
  • Jefferson Menezes
  • Aline dos Santos Vieira
  • Pamela Billig Melli Carpes

Palavras-chave:

Dopamina, Memória, aversiva, Esquiva, Inibitória, Antagonista, Dopaminérgico

Resumo

As memórias de medo são constantemente tratadas nos consultórios de psicoterapeutas em função de transtornos do estresse pós-traumático (TEPT). A extinção da memória configura um novo processo de aprendizagem, que pode ser utilizado no tratamento do TEPT, e envolve várias estruturas e circuitos cerebrais. Considerando isso, o objetivo do nosso trabalho foi avaliar a participação do sistema dopaminérgico hipocampal na extinção das memórias de medo. 21 ratos Wistar machos foram submetidos à cirurgia estereotáxica para implantação de cânulas bilaterais na região CA1 do hipocampo. Após recuperação, foram treinados na tarefa de Esquiva Inibitória (EI) para aquisição de uma memória de medo. No dia seguinte ao treino foram submetidos à 3 sessões de extinção da memória (24h, 25,5h e 27h após o treino) na EI, de acordo com protocolo da literatura). Os animais foram divididos em 3 grupos: controle (GC, animais treinados e submetidos à extinção da memória); experimental 1 (animais treinados e expostos a uma novidade antes da extinção; GN); e experimental 2 (animais treinados e expostos a uma novidade seguida pela infusão intra-hipocampal de SCH23390, um antagonista dopaminérgico, antes da extinção; GN+SCH). O treino na tarefa de EI consiste em colocar o animal na plataforma dentro da caixa da EI e, quando este desce com as quatro patas na grade metálica que forma o chão do aparato recebe um leve choque de 0,5mA por 2 segundos, para formar memória aversiva. Nas sessões de extinção os animais são colocados novamente na plataforma da EI. Normalmente se espera que o animal demore mais tempo para descer da plataforma, em função da memória aversiva formada. Porém, nas sessões de extinção, ao descer para o assoalho do aparato o animal não recebe mais o choque e é mantido no chão da caixa por 30 segundos, a fim de extinguir a memória original. Os animais GN e GN+SCH foram expostos à novidade (um ambiente diferente do habitual) pelo tempo de 5 minutos, antes da primeira sessão de extinção. E, os animais do grupo GN+SCH receberam injeção hipocampal de 0,1µL/lado do antagonista dopaminérgico imediatamente após a exposição à novidade. Este estudo foi aprovado pelo CEUA/UNIPAMPA (protocolo 25/2012). Para análise dos dados utilizou-se o teste de Mann-Whitney. Observamos que os animais que foram expostos à novidade apresentaram um tempo de descida da plataforma menor que os animais do GC ao longo das 3 sessões de extinção (P<0,05). Por sua vez, não foram observadas diferenças nos tempos do grupo GN+SCH em relação ao grupo GC. Dessa forma, nossos resultados demonstram que a exposição à novidade pode facilitar a extinção da memória de medo por meio de um mecanismo dopaminérgico. Portanto, o mecanismo de facilitação da extinção pela novidade deve envolver o incremento na liberação de dopamina hipocampal, uma vez que a inibição dos receptores dopaminérgicos D1 hipocampais pela infusão de SCH23390 impede a facilitação da extinção. Agradecimentos: PIBIC CNPq, PROPESQ/UNIPAMPA.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Papel do Sistema Dopaminérgico Hipocampal na Extinção das Memórias de Medo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65660. Acesso em: 22 set. 2026.