A modulação corticosteroide da consolidação e persistência de diferentes tipos de memória em ratos é dose-dependente

Autores

  • Marcus de Lara
  • Rithiele Gonçalves
  • Ben Hur Souto das Neves
  • Cháriston Dal Belo
  • Pâmela Billig Mello Carpes
  • Liane da Silva de Vargas

Palavras-chave:

Corticoides, metilprednisolona, aprendizagem

Resumo

A memória de reconhecimento pode ser caracterizada como a capacidade de discriminar pessoas ou objetos novos em relação aos já conhecidos; a memória aversiva representa nossa capacidade de identificar situações de perigo. Dentre as substâncias que podem interferir nas fases de processamento da memória estão os corticosteroides. A Metil Prednisiolona (MP), droga pertencente a este grupo, é comumente utilizada na terapia inflamações, porém, pode interferir em estágios de processamento da memória. Este trabalho busca compreender os efeitos da administração de MP em diferentes doses na memória de reconhecimento e aversiva em ratos. Foram utilizados 30 ratos Wistar machos divididos em 3 grupos, com 10 animais cada: Controle (recebeu 20mL de salina), experimental 1 (MP em baixa dose: 5mg/kg), e experimental 2 (MP em alta dose: 30mg/kg). Todos os animais passaram pelos mesmos protocolos experimentais: (1) administração de solução salina ou MP por 10 dias via intraperitoneal; (2) teste de memória de reconhecimento de objetos (RO) para avaliação da consolidação da memória de reconhecimento (testada 24h após o treino); (3) teste de esquiva inibitória (EI) para avaliação da consolidação e persistência de memória aversiva (testada 24h, 7, 14 e 21 dias após o treino); e, (4) testes de Campo Aberto (CA) e Labirinto em Cruz Elevado (LCE) para avaliação da atividade locomotora e ansiedade, respectivamente. Para analisar os resultados do RO foi utilizado teste t de uma amostra (com média teórica de 50%), para os resultados da EI o teste de Kruskall-Wallis seguido de posthoc de Dunn a fim de comparar o desempenho dos grupos a cada dia de teste, e o teste de Wilcoxon para comparações treino/teste; para os testes de CA e LCE utilizou-se ANOVA de uma via. A administração de alta dose de MP causou prejuízo na consolidação da memória de RO, já que houve diferença no tempo de exploração dos objetos familiar e novo no teste do grupo controle (P=0,004) e experimental 1 (P=0,006), e os animais do grupo experimental 2 exploraram os dois objetos pelo mesmo tempo. No teste de EI todos os animais aprenderam, porém, a administração de alta dose de MP causou prejuízo na persistência da memória aversiva, uma vez que, no dia 14, enquanto nos grupos controle (P=0,01) e baixa dose (P=0,007) se observava persistência da memória, os animais do grupo alta dose não lembravam mais do aprendizado inicial. Por outro lado, a administração de baixa dose de MP prolongou a persistência desta memória quando comparada ao grupo controle (P=0,01 no teste de 21 dias, quando nos demais grupos já não se observava diferença). A administração de MP não alterou a atividade locomotora e ansiedade. É possível concluir que a administração de MP em alta dose pode prejudicar a formação de memória de reconhecimento e a persistência da memória aversiva, enquanto a administração de dose baixa pode auxiliar na persistência de memória aversiva; sendo assim, os efeitos da MP sobre a memória são dose-dependente.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

A modulação corticosteroide da consolidação e persistência de diferentes tipos de memória em ratos é dose-dependente. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65658. Acesso em: 22 set. 2026.