Efeitos da crotamina sobre a consolidação e persistência da memória aversiva em ratos
Palavras-chave:
toxina, esquiva, inibitória, dopamina, acetilcolinaResumo
Evidências têm demostrado que a crotamina, toxina isolada do veneno de Crotalusdurissusterrificus, tem a capacidade de promover o aumento da liberação de dopamina e acetilcolina no Sistema Nervoso Central (SNC) de ratos. Sabendo que ambos neurotransmissores são importantes moduladores da atividade neuronal relacionada com as diferentes formas de aprendizagem e de memória, este trabalho teve como objetivo investigar os efeitos da crotamina na consolidação e persistência da memória aversiva em ratos. Para isto, foram usados 20 ratos Wistar machos de 60 dias de idade, os quais foram divididos em dois grupos: controle, que recebeu infusão intra-hipocampal de solução salina (1µL/lado) e experimental, que recebeu infusão intra-hipocampal de crotamina (1µL/lado). Os animais foram submetidos aos seguintes protocolos experimentais: (1) implantação de cânulas na região CA1 do hipocampo mediante cirurgia estereotáxica de acordo com as coordenadas e Paxinos; (2) manipulação para habituação dos animais ao experimentador; (3) tarefa de Esquiva Inibitória (EI) para avaliação da memória aversiva (testes 24 horas, 7, 14 e 21 dias após o treino); e, (4) testes de Campo Aberto (CA) e Labirinto em Cruz Elevado (LCE), para avaliação da função locomotora e do nível de ansiedade dos animais, respectivamente. Aprovado pelo CEUA/Unipampa, parecer N° 044/2012. Para comparação dos resultados da EI entre os grupos utilizou-se o teste de Mann-Whitney e para comparação treino/teste em cada grupo o teste de Wilcoxon; para comparação dos resultados do CA e LCE entre os grupos utilizou-se o teste t de Student para amostras independentes. Foram considerados significativos resultados com valor de P<0,05. Nossos resultados demonstraram que a curva temporal mnemônica foi diferente entre os grupos, de forma que os animais que receberam a infusão hipocampal de crotamina apresentaram melhor persistência da memória aversiva quando comparados ao grupo controle, de forma que, 21 dias após o aprendizado estes animais mantinham melhor memória do aprendizado inicial que os demais (P= 0,0078). A infusão da toxina não interferiu na atividade locomotora e ansiedade dos animais. Desta forma, percebe-se que a crotamina contribui para a persistência da memória aversiva. Ainda, acreditamos que este efeito pode estar relacionado à modulação dos sistemas colinérgicos e dopaminérgicos pela toxina, uma vez que a acetilcolina é o neurotransmissor mais conhecido envolvido nos processos de aprendizagem, memória e atenção, e a dopamina, por sua vez, é considerada o neurotransmissor mais influente na modulação da atividade mnemônica relacionada à tarefa de esquiva inibitória em ratos. Diante disso, podemos afirmar que a crotamina promove a melhora na persistência da memória aversiva em roedores e que, provavelmente, esta melhora acontece devido a sua atuação nos sistemas colinérgicos e dopaminérgicos, promovendo o aumento da liberação desses neurotransmissores e consequente melhora do traço mnemônicoDownloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Efeitos da crotamina sobre a consolidação e persistência da memória aversiva em ratos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65657. Acesso em: 23 set. 2026.