Avaliação dos Efeitos do Extrato Hidroalcoólico de Duguetia furfuracea (A. St.-Hil.) Sobre o Sistema Antioxidante e Fosforilação de ERK1/2 em Drosophila melanogaster.

Autores

  • Gustavo da Silva
  • Katiane Raquel Müller
  • Giulianna Echeverria Macedo
  • Rafaela Souto Nasi
  • Thaís Posser
  • Jeferson Luis Franco

Palavras-chave:

Duguetia, furfuraceae, Drosophila, melanogaster, estresse, oxidativo, MAPKs, ERK, TBARS

Resumo

A utilização de plantas para fins curativos é muito difundida pela população brasileira. Dentre estas plantas, a Duguetia furfuracea (A. St. Hil.), também conhecida como Araticum-seco, é encontrada em várias regiões do Brasil e a infusão de suas folhas utilizada no tratamento de várias doenças. Desta forma, torna-se necessário maior conhecimento acerca dos princípios ativos, efeitos secundários e interações com outros fármacos para que o seu uso em terapias complementares possa ser validado. Muitos metabólitos secundários [flavonóides, acetogeninas, alcalóides] de plantas possuem potencial toxicidade e induzem estresse oxidativo ao atuarem sobre o sistema biológico. O objetivo do presente estudo foi avaliar os efeitos da exposição in vivo da Mosca da Fruta Drosophila melanogaster ao Extrato Hidroalcoólico Liofilizado obtido a partir das folhas de D. furfuracea (EHDf), sobre o sistema antioxidante e sinalização celular, e a atividade antioxidante in vitro contra a peroxidação lipídica induzida por Fe/EDTA em cérebro bovino. Moscas com idade de 3-4 dias de vida, foram alimentadas com meio padrão contendo ou não o EHDf nas concentrações de 1 a 50 mg/ml, durante 7 dias. Após os tratamentos, as moscas foram homogeneizadas e centrifugadas, e o sobrenadante utilizado para a avaliação da geração de radicais livres através da fluorescência de DCF-DA (n=3), atividade das enzimas antioxidantes Superóxido Dismutase (SOD), Catalase (CAT), Glutationa S-Transferase (GST) e Acetilcolinesterase (AchE) (n=3). Em paralelo, pela técnica de Western Blotting, avaliou-se a fosforilação das MAPKs ERK e p38MAPK. A atividade antioxidante in vitro foi avaliada pelo ensaio de TBARS em homogenato de cérebro bovino, tendo como agente indutor de peroxidação lipídica o Fe/EDTA. As análises estatísticas foram realizadas pelo teste de ANOVA de uma via, seguido pelo teste post hoc de Duncan (p<0,05). O tratamento de D. melanogaster com o EHDf aumentou em 100% a medida de estresse oxidativo em 50 mg/ml em relação ao grupo controle. Também houve indução da atividade de SOD, CAT, GST e AchE. A fosforilação MAPK pERK e p38MAPK, apresentou-se significativamente aumentada na concentração de 50mg/ml (56,38% vs controle) sendo que houve estímulo da fosforilação de p38 em todas as concentrações testadas, além disso, o extrato não apresentou efeito antioxidante frente a peroxidação lipídica induzida por Fe/EDTA em cérebro bovino. Neste estudo concluímos que o tratamento in vivo com EHDf causa efeitos pró-oxidantes, com aumento da geração de espécies reativas e acompanhado por indução de enzimas antioxidantes e fosforilação de quinases em D. melanogaster, além disso, o extrato não protegeu contra a peroxidação lipídica mesmo em concentrações de 1 mg/ml. Estes dados ressaltam a toxicidade e ação pró-oxidante associada ao consumo de plantas por períodos prolongados, podendo levar à ativação de vias de transdução de sinal que participam de diferentes processos celulares.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Avaliação dos Efeitos do Extrato Hidroalcoólico de Duguetia furfuracea (A. St.-Hil.) Sobre o Sistema Antioxidante e Fosforilação de ERK1/2 em Drosophila melanogaster. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65645. Acesso em: 22 set. 2026.