Caracterização da Fração Proteica do Veneno do Escorpião Bothriurus bonariensis

Autores

  • Jeferson de Lima
  • Evelise Leis Carvalho
  • Matheus Fernandes Ferreira
  • Kelvin Henrique Mac De Oliveira
  • Paulo Marcos Pinto
  • Douglas Silva dos Santos

Palavras-chave:

Bothriurus, bonariensis, SDS-PAGE, proteínas, veneno, proteômica

Resumo

Escorpiões são artrópodes quelicerados pertencentes ao Filo Arthropoda, classe Arachnida e ordem Scorpiones. A escorpiofauna brasileira é representada por quatro famílias, Bothriuridae, Buthidae, Chactidae e Ischnuridae, abrangendo 17 gêneros e 94 espécies. Atualmente no Brasil são registradas 16 espécies pertencentes a cinco gêneros: Bothriurus, Brachistosternus, Brazilobothriurus, Thetylus e Urophonius. O gênero Bothriurus é o mais especioso desta família, com 41 espécies sendo 10 espécies registradas para o Brasil. Os escorpiões de importância médica existentes no Brasil pertencem ao gênero Tityus, porém espécies de outras famílias também têm causado acidentes de menor gravidade, como algumas espécies das famílias Bothriuridae e Chactidae. Os venenos animais têm sido amplamente reconhecidos como uma das principais fontes de moléculas biologicamente ativas. Devido ao seu elevado grau de especificidade alvo, as toxinas de veneno foram cada vez mais utilizadas como ferramentas farmacológicas para o desenvolvimento de drogas. Para avaliar a composição peptídica do veneno de escorpiões e outros animais peçonhentos faz-se uso da técnica de eletroforese, empregada principalmente na caracterização bioquímica de proteínas e peptídeos. Recentemente, abordagens proteômicas propiciaram o surgimento de um novo ramo da ciência, a Venômica, que se pode caracterizar como sendo o estudo do proteoma de venenos animais. Este trabalho tem por objetivo realizar a caracterização da fração proteica do veneno do escorpião Bothriurus bonariensis em busca de componentes bioativos com interesse biológico e biotecnológico. Escorpiões da espécie B. bonariensis foram capturados através de armadilhas nas proximidades do campus da Universidade Federal do Pampa e no Cerro do Batovi, ambos localizados no município de São Gabriel, RS. A extração do veneno do escorpião B. bonariensis foi realizada através da estimulação elétrica com voltagem de 35 V, diretamente do derradeiro segmento abdominal, originando três amostras (A, B, C). As proteínas presentes no pool do veneno de B. bonariensis da amostra C foram submetidas a precipitação por ácido tricloroacético (TCA) 20% em acetona. A análise SDS-PAGE foi realizada com as três amostras do estudo, onde a amostra A nas concentrações de 30 µg e 60 µg não apresentou bandas proteicas, amostra B de concentração de 60 µg, exibiu uma banda de 50 kDa e a amostra C, precipitada com TCA apresentou sete bandas, que variaram de 250 kDa a 25 kDa. Estes resultados indicam que o veneno do escorpião B. bonariensis, além da fração proteica, é composto por uma gama de substâncias que interferem na resolução da eletroforese. Este trabalho, pioneiro com a espécie B. bonariensis, contribui para padronização da coleta, manutenção e extração do veneno da espécie, bem como para uma caracterização da fração proteica do veneno do escorpião B. bonariensis e também serve como base para estudos futuros mais aprofundados.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Caracterização da Fração Proteica do Veneno do Escorpião Bothriurus bonariensis. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65626. Acesso em: 22 set. 2026.