Endocardiose de Valva Mitral em Cão Relato de Caso Infrequente
Palavras-chave:
Endocardiose, cardiologia, arritmias, ventricularesResumo
A endocardiose valvar é a cardiopatia mais prevalente em cães senis, representando até 70% da casuística. Os sinais clínicos variam de assintomáticos à morte súbita por edema pulmonar, dos quais a tosse é a característica mais frequente, ao contrário das arritmias supraventriculares e síncopes que são incomuns e arritmias ventriculares consideradas raras. Desta forma, objetiva-se relatar caso clínico de morte súbita por arritmia ventricular severa em um cão com endocardiose de valva mitral. Um cão da raça Teckel, macho, com 11 anos de idade e peso corporal de 10 Kg, foi encaminhado ao Serviço de Cardiologia Veterinária do Hospital Universitário Veterinário da UNIPAMPA, com histórico de episódios de síncopes, cianose e tosse seca, alta, improdutiva e esporádica, iniciado há 12 dias. Ao exame físico foi observado cianose de língua, sopro sistólico grau IV/VI em foco mitral, associado a episódios de déficit de pulso. O eletrocardiograma revelou complexos ventriculares prematuros multifocais isolados e em bigeminismo de origem ventricular esquerda, além de aumento na duração da onda P (63ms), complexo QRS (83ms), amplitude da onda P (0,41mV) e elevada frequência cardíaca (FC=180 bpm). Cardiomegalia foi visibilizada radiograficamente, especialmente em região de átrio e ventrículo esquerdo com compressão do brônquio principal esquerdo, sem edema pulmonar. A endocardiose de valva mitral foi confirmada a luz da ecodopplecardiografia, pela hiperecogenicidade e irregularidade dos folhetos, associada ao prolapso do folheto parietal, regurgitação mitral (v=4,39 m/s e Δp=76,99 mmHg), espessamento do septo interventricular ao final da sístole (2,07 cm), aumento do diâmetro atrial esquerdo (AE=3,21; relação AE/aorta= 2,5) e fração de encurtamento (66,7%). O tratamento foi preconizado com maleato de enalapril, furosemida, espironolactona, repouso e beta-bloqueador, entretanto, embora a FC tenha diminuído (120 bpm) após três dias, o cão manteve episódios de síncopes e arritmia, cursando em morte súbita no quinto dia de tratamento. Conforme a literatura consultada, os sinais clínicos relatados são frequentes durante a endocardiose mitral, sobretudo a ocorrência de tosse, a qual é gerada pela compressão bronquial devido ao aumento atrial esquerdo. O sopro sistólico mitral é achado comum, causado pela coaptação inadequada da válva mitral. Entretanto, diferentemente do observado neste caso, arritmias são pouco prevalentes na endocardiose valvar canina e, quando presentes, possuem origem supraventricular secundária à dilatação atrial, das quais a fibrilação atrial e contrações atriais prematuras se destacam. Conclui-se, portanto, que embora arritmias ventriculares sejam consideradas infrequentes em cães com endocardiose valvar, sua ocorrência não deve ser desconsiderada e pode estar associada a episódios de síncope e morte súbita, reforçando a necessidade da realização do eletrocardiograma para detecção precoce de possíveis arritmias patológicas.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Endocardiose de Valva Mitral em Cão Relato de Caso Infrequente. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65546. Acesso em: 22 set. 2026.