Aspectos clínicos, laboratoriais e terapêuticos da Hemofilia canina Relato de caso

Autores

  • Debora Freitas
  • Shana Letícia Garmatz
  • Thaline Segatto
  • Laís Fernanda Wojahn
  • Tainã Normanton Guim
  • Marcio Machado Costa

Palavras-chave:

hemofilia, cão, coagulopatia

Resumo

A hemofilia é uma coagulopatia congênita e hereditária que acomete principalmente cães jovens e machos podendo raramente acometer fêmeas. A hemofilia possui o tipo A que se caracteriza pela diminuição do fator VIII de coagulação e o tipo B onde ocorre a diminuição do fator IX de coagulação. O cão que possui esta doença apresenta quadros de hemorragias pelos menores traumatismos, além de hematomas e hemartroses. O objetivo do presente trabalho foi relatar um caso de hemofilia em um cão abordando os aspectos clínicos, laboratoriais e terapêuticos desta enfermidade. Foi atendido no Hospital Universitário Veterinário da Universidade Federal do Pampa, um canino, macho, da raça Poodle, de 6 meses, apresentando sangramento no membro pélvico direito há 2 dias por um ferimento penetrante de causa desconhecida. Durante a anamnese, a proprietária relatou que há alguns meses o cão apresentou sangramento oral pela troca dos dentes. No exame físico, a mucosa oral encontrava-se pálida e os demais parâmetros clínicos não apresentaram alterações dignas de nota. A inspeção, constatou-se a presença de uma ferida de aproximadamente 1X1cm, localizada no membro pélvico direito com sangramento e presença de hematomas ao redor do mesmo. Realizou-se uma bandagem compressiva para estancar a hemorragia e posteriormente o cão foi submetido a exames laboratoriais. O hemograma apresentou anemia normocítica normocrômica (hematócrito 11%), leve trombocitopenia e baixo número de hemácias. Foi realizado o coagulograma e observou-se no teste de tromboplastina parcial ativada (TTPa) o resultado de 45,43 segundos, mostrando-se prolongada. O teste de protrombina (TP) apresentou-se normal assim como o tempo de coagulação da mucosa oral (TS). Os dados da anamnese, exame físico e resultados laboratoriais concluíram que se tratava de um quadro de hemofilia. O animal foi submetido a transfusão de sangue fresco total com o objetivo de repor as hemácias e aumentar o hematócrito. Além disso, a proprietária foi orientada quanto aos cuidados que devem ser tomados para a prevenção de novos ferimentos e contusões que possam acarretar em sangramento. Foi importante se ter o diagnóstico de coagulopatia hereditária, pois se o paciente fosse submetido a um procedimento cirúrgico, seria necessário o conhecimento do cirurgião quanto ao provável sangramento prolongado peri operatório. Quando o paciente apresenta histórico de distúrbio na hemostasia, deve-se pensar em diversas suspeitas de diagnóstico, por isso, foi fundamental uma correta anamnese que auxilie no diagnóstico definitivo, além dos exames laboratoriais específicos (TTPa, TP e TS). Para diferenciar as hemofilias, deve-se fazer o teste de dosagem dos fatores VIII e IX que só é realizado em laboratórios específicos. Pacientes com hemofilia A ou B são difíceis de ser diagnosticados por ser uma doença pouco vista na rotina hospitalar, por isso a importância de um exame clínico detalhista para se chegar ao diagnóstico e tratamento correto.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Aspectos clínicos, laboratoriais e terapêuticos da Hemofilia canina – Relato de caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65541. Acesso em: 23 set. 2026.