Extração e Caracterização do Óleo Bruto de Bijupirá (Rachycentron canadum)

Autores

  • Patrick da Silva
  • Luiz Antonio de Almeida Pinto
  • Luana Rodrigues Nobre

Palavras-chave:

óleo, pescado, bijupirá, processo, termomecânico

Resumo

O bijupirá (Rachycentron canadum) é considerado um peixe pelágico, migratório, com ampla distribuição em águas tropicais e subtropicais, além de ser a única espécie integrante da família Rachycentridae. No Brasil, o bijupirá está presente em todo o litoral, mas é mais abundante em águas tropicais. A introdução desta espécie na piscicultura marinha do Brasil é um marco para o desenvolvimento da sua tecnologia de cultivo, devido a sua rápida taxa de crescimento e alta qualidade da carne. O bijupirá tem um alto valor nutricional e medicinal, devido à sua equilibrada composição de aminoácidos essenciais e sua riqueza em ácidos graxos poliinsaturados, em particular, o elevado conteúdo de ácidos graxos poliinsaturados, principalmente o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o docosahexaenóico (DHA). Com o intuito de agregar valor aos resíduos de pescado, o processo termomecânico de produção de farinha surge como uma alternativa adequada para evitar desperdícios e reduzir a contaminação ambiental, podendo esse óleo ser utilizado para a obtenção de concentrados de ácidos graxos poliinsaturados. Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi realizar a extração e caracterização do óleo bruto de bijupirá, obtido através do processo termomecânico de produção de farinha. O óleo bruto foi caracterizado quanto ao percentual de ácidos graxos livres, índices de iodo, peróxido, saponificação, refração e valor de ácido tiobarbitúrico (TBA). A matéria-prima utilizada para a elaboração do óleo bruto foram vísceras de bijupirá, cedidos pela Estação Marinha de Aquacultura da Universidade Federal do Rio Grande, as quais passaram pelas etapas de moagem, cocção, prensagem e centrifugação. Através do método termomecânico foi extraído o óleo bruto de bijupirá que apresentou um rendimento em torno de 86%, em relação ao óleo presente nas vísceras. Em relação ao percentual de ácidos graxos livres, obteve-se um valor de 1,45% em ácido oléico. O óleo bruto apresentou um valor de índice de peróxido de 3,1 meq peróxido/kg de óleo, não ultrapassando o limite estabelecido pela legislação (10 meq peróxido/kg de óleo). O valor do ácido tiobarbitúrico (TBA) foi de 0,74 mg malonaldeído/kg de óleo, este valor é usado como um indicador do grau de oxidação lipídica secundária, com decomposição de hidroperóxidos e formação de produtos secundários de oxidação como aldeídos, cetonas e alcoóis. Os índices de iodo e saponificação que estão relacionados, respectivamente, ao grau de insaturação e a massa molar dos ácidos graxos esterificados ao glicerol, apresentaram valores de 125 g I2/100g e 201 mg KOH/g. Em relação ao índice de refração, o qual também está relacionado com o grau de insaturação das cadeias, compostos de oxidação e tratamento térmico, obteve-se um valor de 1,4652 à 40°C. Portanto, pode-se concluir que o óleo bruto extraído de vísceras de bijupirá, através do processo termomecânico, apresenta características desejáveis de qualidade e estabilidade oxidativa.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

Extração e Caracterização do Óleo Bruto de Bijupirá (Rachycentron canadum). Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65521. Acesso em: 22 set. 2026.