IV Festival Sul-Americano da Cultura Árabe
Palavras-chave:
Árabe, -, Muro, Binacional, Santana, Livramento, Rivera, PalestinaResumo
O Festival Sul-Americano da Cultura Árabe é um evento que ocorre em diversas cidades Brasileiras e em algumas do exterior. Em 2013, devido à peculiaridade da região fronteiriça entre Santana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai), as cidades também se tornaram sede do evento. O Festival possuíra um caráter iminentemente cultural, contudo, os aspectos políticos deveriam ser tratados, haja vista a cidade abrigar uma população palestina bastante representativa. Assim, no intuito de promover o evento (que contava com exposições, mostra de filmes e curtas-metragens, palestras, etc.), os organizadores locais criaram um muro na via lateral à Unipampa que interrompia o tráfego de veículos e pedestres. Com 17 metros de cumprimento por 5 de altura, o muro se transformou no objeto de discussões durante o período em que se manteve em pé. A proposta era de que o muro fosse mais uma atração do Festival, mas logo se tornou um local de peregrinação de curiosos. O intuito inicial era nada dizer sobre a função do muro, apenas vinculá-lo aos eventos do Festival Árabe. O muro deveria permanecer na rua durante os 14 dias em que ocorreria o Festival, contudo, além de buscarem entender o sentido daquela intervenção, muitos passaram a questionar sua legalidade. De certo modo, a proposta do muro era divulgar o evento e provocar a população no sentido de levá-la a pensar sobre o significado de liberdade. Refletir sobre a fronteira Brasil/Uruguai e o que ocorre em outras localidades do mundo, tais como as fronteiras entre Palestina e Israel, Estados Unidos e México, ou mesmo o muro quase esquecido do Saara Ocidental. Assim, o próprio muro se encarregaria de desencadear a discussão sobre a proposta do Festival e chamar a atenção para que o público conhecesse a programação do evento. No entanto, a capacidade do muro foi subdimensionada e logo no primeiro dia que a cidade se viu diante dele o transformou em objeto de reflexão acerca de outras limitações que ocorrem no espaço público. Não obstante aos questionamentos acerca de sua legalidade, surgiram vozes até então alheias a tudo que ocorria na cidade e que exigiam o direito de ir e vir restaurado. A sociedade civil, por mais heterogênea que seja, passou a buscar formas para expressar seus anseios. Poucas formas de divulgação de um evento conseguiriam alcançar este nível de exposição e criar um canal direto de comunicação com a população quanto o muro fez. E mais, não transformou o público num mero receptor da mensagem, pois havia a necessidade da pessoa parar, admirar-se pela grandiosidade do objeto, vivenciar a situação inusitada e, na sequência buscar informações para saber como agir. O muro santanense, se não desencadeou uma revolução, ao menos sensibilizou a população para tal. E isso somente foi possível porque a opção adotada ao pensar na divulgação do evento foi criar maneiras para fazer o público vivenciar a proposta e se tornar ativo. De objeto, o povo se tornou sujeito.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
IV Festival Sul-Americano da Cultura Árabe. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 3, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65451. Acesso em: 14 maio. 2026.