Corpo Estranho Esofágico e Gástrico em um Cão Relato de Caso
Palavras-chave:
corpo, estranho, cão, esofagotomia, gastrotomiaResumo
A ocorrência de corpos estranhos no trato gastrintestinal acomete principalmente animais jovens, onde os principais objetos engolidos são: ossos, metais pontiagudos, brinquedos mastigáveis e barbantes. Os sinais clínicos são variados e os animais acometidos podem apresentar anorexia, disfagia, regurgitação, dispneia, vômito, inquietação e letargia. Os exames radiográficos são importantes para o diagnóstico, pois determinam o tipo e o local de instalação do objeto. O objetivo do presente trabalho é descrever os aspectos clínicos e cirúrgicos de um cão que apresentou corpo estranho esofágico e gástrico. Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pampa, um canino, macho, sem raça definida, 2 anos, com histórico de ingestão de anzóis há 1 dia. O proprietário relatou que o cão apresentava sinais de dor e não estava se alimentando nem ingerindo água. O animal passou primeiramente por uma avaliação clínica, na qual apresentou um estado geral bom. Após foram realizados exames complementares: hemograma e radiografia abdominal e torácica. No hemograma não foram constatadas alterações dignas de nota. No exame radiográfico foi constatado a presença de 3 anzóis e 1 empate, sendo um anzol localizado no esôfago e os outros 2 anzóis e o empate localizado no estômago. O animal foi submetido aos procedimentos cirúrgicos de esofagotomia e gastrotomia, não havendo complicações durante o trans-operatório. Na prescrição foi estabelecida a suspensão do consumo oral por 24 a 48 horas, seguida de dieta líquida pastosa nos primeiros 15 dias com posterior retorno gradual da alimentação sólida. O animal se recuperou sem complicações. O exame radiológico foi fundamental para confirmação do diagnóstico de corpo estranho neste caso clínico, pois, além da confirmação, esse método também evita intervenções cirúrgicas desnecessárias. A esofagotomia e gastrotomia foram necessárias objetivando a remoção do corpo estranho, o qual pode causar danos à mucosa e, dependendo do seu tamanho, pode causar erosões, ulcerações e perfurações de vísceras. Os cuidados no pós-operatório desses tipos de intervenções cirúrgicas são de extrema importância, dentre eles o manejo alimentar. O esôfago, por exemplo, está sujeito à movimentação constante decorrente da deglutição, o que podem interferir na cicatrização da mucosa. Por isso a fluidoterapia por 24 a 48 horas e a dieta líquida ou pastosa é o protocolo de manejo alimentar mais usado para manter a hidratação e nutrição dos animais após a cirurgia. O caso clínico revela que dependendo da sua localização e tamanho, a presença de um corpo estranho no organismo do animal pode desencadear variados sinais clínicos e danos à mucosa. Este trabalho serve como alerta aos proprietários e clínicos de pequenos animais quanto à ocorrência da ingestão de corpos estranhos por seus animais, bem como ressalta a importância do diagnóstico precoce e dos cuidados pós-operatórios, o que determina um prognóstico satisfatório.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Corpo Estranho Esofágico e Gástrico em um Cão Relato de Caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 3, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65163. Acesso em: 14 maio. 2026.