PERFIL FARMACOLÓGICO PARA DESINTOXICAÇÃO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA AO CRACK EM UM CAPS-AD NO MUNICÍPIO DE BAGÉ-RS

Autores

  • Débora Brizolara
  • Patrícia Albano Mariño
  • Ana Paula Simões Menezes

Palavras-chave:

Crack, Usuários, Drogas, Saúde, Pública

Resumo

As complicações clínicas e sociais da dependência químicas são atualmente consideradas um problema de saúde pública. O crack é uma droga de fácil acesso e baixo custo, que facilmente leva a dependência química, dificultando o tratamento dos usuários. Os Centros de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas (CAPS-AD II) são serviços municipais, abertos e comunitários e que visam oferecer atendimento adequado aos usuários de substâncias psicoativas. O objetivo deste trabalho foi analisar o perfil farmacológico para desintoxicação da dependência química ao crack em um CAPS-AD no município de Bagé-RS. Tratou-se de um estudo observacional descritivo. Foram analisados todos os prontuários de usuários de crack inscritos no mês de maio de 2013 no CAPS-AD II. Para coleta de dados utilizou-se uma tabela com variáveis dependentes e independentes e ocorreu mediante ciência da coordenação da unidade de saúde, sendo assegurada a integridade dos dados. Os dados foram tabulados no programa Excel para posterior avaliação. Foram analisados 127 prontuários, a maioria deles (87%) do sexo masculino e com idade entre 25 e 34 anos (43%). A grande maioria relatou ser solteiro (83%). Quanto à escolaridade, 66% possuíam o ensino fundamental incompleto e apenas 12% o ensino médio incompleto. O fármaco mais utilizado no tratamento da dependência química foi o topiramato (32%), seguido do dissulfiram com 24% e da risperidona com 10%. Além disso, verificou-se a utilização de antidepressivos (fluoxetina, amitriptilina e imipramina). Em relação à associação medicamentosa, 52% (n=66) utilizavam a associação de dois medicamentos e somente 4% (n=5) não a fazem. Referente à posologia, o topiramato foi mais utilizado 2 vezes ao dia (29%) e apenas em 3,6% dos tratamentos, 1 vez ao dia. Quanto ao dissulfiram, em 23,5% (n=70) dos pacientes utilizou-se 1 vez ao dia e, 2 vezes ao dia foi utilizado em apenas 1,3% (n=4) dos pacientes. A informação obtida nos prontuários em relação ao início de tratamento mostrou que 56% dos pacientes estavam em tratamento há mais de 2 anos e 21% à menos de seis meses, porém a grande maioria realiza o tratamento por vários anos por não ter continuação e nem ser freqüente. Em relação à recaídas, muito comuns durante o tratamento da dependência, notou-se que a mesma ocorreu em 66% dos casos. Através desta pesquisa observou-se que o crack é uma droga de alta incidência em pessoas jovens, sendo causadora de dependência química de difícil tratamento, causando muitas recaídas, acarretando assim danos que podem levar o usuário a ter sérios problemas tanto no organismo quanto na sociedade. Esta pesquisa confirmou os medicamentos e as associações medicamentosas utilizadas pelos pacientes do CAPS-AD II Bagé/RS estão de acordo com a literatura. Entretanto, ressalta-se a importância do profissional farmacêutico como componente da equipe multiprofissional, devido à difícil adesão ao tratamento farmacológico.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

PERFIL FARMACOLÓGICO PARA DESINTOXICAÇÃO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA AO CRACK EM UM CAPS-AD NO MUNICÍPIO DE BAGÉ-RS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65048. Acesso em: 15 maio. 2026.