Leiomioma uterino em cão - Relato de caso
Palavras-chave:
neoplasia, uterina, leiomioma, abdômen, agudoResumo
Neoplasias uterinas são raras em cadelas e gatas e podem se tornar um desafio diagnóstico para o clínico, que deverá estar atento a outras doenças comuns do trato genital e que cursam com sinais clínicos semelhantes. Este trabalho objetiva descrever a apresentação clínica desta doença, bem como os métodos de diagnóstico e tratamento. Uma cadela de 5 anos de idade, com 11 Kg e sem raça definida foi atendida no Hospital Universitário Veterinário da Universidade Federal do Pampa com histórico de dor e aumento de volume abdominal, poliúria, polidipsia e sangramento pelo canal vaginal, há dois dias. Ao exame clínico o animal estava ofegante, com febre e manifestava sinais de abdômen agudo - acentuada dor à palpação do abdômen, que estava bastante distendido e rígido. Tinha ainda contrações abdominais esporádicas e corrimento vaginal hemorrágico. No exame radiográfico observou-se uma massa radiopaca, esférica ocupando cerca de 60% da cavidade abdominal. O hemograma indicou leve leucopenia e granulação tóxica em neutrófilos. O cão foi submetido a cirurgia emergencial, devido ao intenso desconforto e contrações abdominais e ao profuso sangramento vaginal. Na celiotomia observou-se o corpo uterino grandemente distendido e firme. Deu-se continuidade à ovário-histerectomia terapêutica para remoção da massa tumoral e esterilização do animal. Algumas horas após a cirurgia o animal estava alerta, sem sinais de dor e o corrimento vaginal havia cessado. O tumor foi enviado ao Laboratório de Patologia Veterinária da Unipampa. Pesou 1,2 kg e mediu 17 x 15 x 11 cm. Ocupava toda a luz do corpo uterino, como uma massa sólida, macia e brancacenta. No exame histopatológico o tumor foi classificado como leiomioma. Dentre as neoplasias do trato genital em cães fêmeas, esta é a mais comum. Frequentemente ocorre de forma múltipla, incluindo cérvix e vagina e está associada a outras doenças, como hiperplasia endometrial, cistos ovarianos ou neoplasia mamária. Nenhuma destas alterações ocorreu no cão deste estudo. Quanto ao diagnóstico diferencial clínico, outras doenças do trato genital e as que cursam com sinais de abdômen agudo devem ser consideradas. Neste caso, o histórico e os sinais clínicos indicavam uma doença sistêmica, como piometra; porém, o corrimento vulvar predominantemente hemorrágico podia indicar outras alterações, como traumatismo, subinvolução de locais placentários, neoplasia e torção uterina. Os exames complementares contribuíram para o diagnóstico, porém somente durante o procedimento cirúrgico e no exame patológico subsequente é que foi possível identificar a doença. A neoplasia uterina neste caso era benigna e de prognóstico favorável, devido à apresentação não-invasiva. Entretanto, o leiomioma pode se tornar um problema grave para o animal, por se tratar de uma doença de desenvolvimento lento, muitas vezes com ausência ou manifestação tardia de sinais clínicos, o que pode dificultar e retardar o diagnóstico e o tratamento específico adequado.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Leiomioma uterino em cão - Relato de caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65019. Acesso em: 15 maio. 2026.