Ensino Médio Politécnico: Solução ou Problema?
Palavras-chave:
Trabalho, Educação, Reestruturação, PolitecniaResumo
O ensino médio brasileiro apresenta índices preocupantes, com aulas defasadas que não possibilitam a construção do conhecimento e um currículo fragmentado, dissociado da realidade sócio-histórica. Há uma preocupação dos jovens com o mercado de trabalho e quando a escola não representa um meio de conquistar este mercado, ela perde seu significado, causando o grande número de evasão. Diante desta situação, o estado do Rio Grande do Sul implantou no ano de 2012 o Ensino Médio Politécnico, cuja metodologia deve proporcionar aos educandos uma escola onde o mundo do trabalho é a referência e define a identidade desta etapa da educação. Para tal, o Ensino Politécnico propõe formação intelectual, educação do corpo e educação tecnológica, contemplando trabalho, ciência, tecnologia e cultura por meio da pesquisa. Assim, o aluno será capacitado a interpretar as condições histórico-culturais da sociedade de forma crítica e reflexiva. Neste sentido, o presente trabalho se propõe a avaliar a implantação e os primeiros resultados do Ensino Médio Politécnico. Para compreender a proposta do Ensino Politécnico, foram analisados os materiais produzidos pelo MEC e pela secretaria estadual de educação com as metodologias e objetivos dessa reestruturação. A avaliação foi realizada através de observações no ambiente escolar e em sala de aula no Instituto Estadual de Educação Menna Barreto, município de São Gabriel, Rio Grande do Sul, e em outras escolas, onde alguns colegas foram coletores de dados. As observações revelaram que as aulas continuam como no antigo ensino médio, mantendo os alunos alienados, sem espaço para pesquisa. Os professores revelam que não houve uma formação antes da implantação para treinamento e esclarecimento da proposta, alguns desconhecem o objetivo do Ensino Politécnico. Tanto professores, como alunos consideram a reestruturação como um obstáculo, pois não conseguem adaptar-se ao que é proposto. Desta forma, essa mudança pode agravar a situação da educação, pois teoricamente os alunos formados pelo novo sistema estariam aptos a entrar no mercado de trabalho e com uma formação autônoma e crítica. Entretanto, quando esses requisitos lhes forem solicitados, não estarão preparados para praticá-los. Desta forma, a implantação de um ensino médio reestruturado, sem um programa de formação dos professores, não é capaz de sanar os déficits da Educação Básica. Pelo contrário, pode agravar o déficit do ensino médio, formando cidadãos que além de não apresentarem formação fundamentada na politecnia, apresentam uma formação mais fraca devido à redução da carga horária das disciplinas específicas. A formação dos professores para atuação na politecnia é fundamental para que a proposta seja verdadeiramente implantada nas escolas. Por outro lado, a proposta ainda está em fase de implantação e toda mudança requer um período de adaptação. Nesse sentido, os resultados da reestruturação do ensino podem ser positivos, dede que a reestruturação de fato ocorra.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Ensino Médio Politécnico: Solução ou Problema?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65010. Acesso em: 15 maio. 2026.