A produção da homossexualidade masculina no Brasil e o fantasma da passividade

Autores

  • Atilio Butturi Junior
  • Fabio Lopes Da Silva

Palavras-chave:

Discurso monossexual, Passividade, Fantasma, Homossexualidade masculina

Resumo

Esta trabalho parte de uma perspectiva arqueogenealógica e tem como objetivo traçar uma análise das práticas homossexuais no Brasil, segundo uma axiologia que difere entre uma positividade masculina e um fantasma de efeminização constante. Para tanto, problematizam-se as práticas monossexuais que, segundo Foucault, eram inéditas na história do Ocidente até a segunda metade do século XX, questionando-as a partir dos discursos de negação e normatização da passividade e de produção de um modo de subjetivação específico, o do passivo afetivo sexual,  investigando a estratégia genealógica de manutenção de uma discursividade que ratifica as homossexualidades como fora-da-norma, ainda que sob a égide de um fantasma. Pretende-se fazer notar uma tensão entre uma série de enunciados marcados pela igualdade mas que se constituem e são tangenciados por uma hierarquização das práticas homoafetivas e homossexuais, pautada na separação entre masculinidade e efeminização. O corpus de análise divide-se em dois blocos. No primeiro bloco, que estabelece os elementos para a definição de categorias como invertido e passivo, o corpus é composto por discursos da historiografia e da antropologia brasileira, responsáveis pela descrição das práticas de sodomia na Colônia, passando pelos  discursos médicos dos séculos XVIII e XIX e pelo suposto estabelecimento de um marco de transformação positiva na década de setenta do século XX. A tentativa é de definir um arquivo inicial de hierarquização entre práticas de masculinização  ativas e práticas de efeminização passivas. Já o segundo bloco, que trata da assunção da diferença e do discurso monossexual a partir da década de setenta do século XX até a contemporaneidade, é composto de das seguintes  séries discursivas: os discursos do campo antropológico, que afirmam uma cisão em relação à hierarquia sexual a partir da década de setenta; os discursos midiáticos e seu papel na construção de um imaginário popular da identidade homoerótica; o discurso literário em sua vertente contestadora dos padrões de identificação e em sua politização sexual; os discursos produzidos pelos sujeitos same sex oriented em suas estratégias afetivas e sexuais em sites de relacionamento na internet na contemporaneidade. Fundamentalmente, os resultados apontam para  uma permanência, no dispositivo sexual brasileiro, de uma discursividade  que revela a manutenção dos estigmas ligados à efeminização e à passividade,  tanto nos discursos  da disciplina e da normalização quanto naqueles que se pautam pela resistência, ainda que estes últimos estejam marcados por enunciados de igualdade e da democratização.

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

A produção da homossexualidade masculina no Brasil e o fantasma da passividade. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 4, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63949. Acesso em: 22 abr. 2026.