Propensão ao endividamento: uma análise de fatores comportamentais
Palavras-chave:
Finanças Pessoais, Propensão ao Endividamento, Fatores ComportamentaisResumo
O mercado financeiro vem sofrendo alterações, crescendo a facilidade de acesso ao crédito e prazos de pagamento, situação que leva a aceleração do consumo e endividamento. Assim o objetivo deste estudo consiste em investigar a propensão ao endividamento dos indivíduos a partir de fatores comportamentais e variáveis demográficas e culturais. A população do estudo são os residentes da cidade de Santa Maria (RS) abordados de forma aleatória por meio de um questionário. Esse é dividido da seguinte forma: perfil dos respondentes e dos gastos; escalas sobre educação financeira, percepção e comportamento de risco, materialismo, endividamento, sentimentos e emoções e valores do dinheiro. Para a análise dos dados utilizou-se a estatística descritiva e os testes de diferença de mediana.Totalizou-se 575 respondentes. Quanto ao perfil percebe-se que a maioria possui uma idade media de 31 anos, pertence ao sexo masculino (58,6%), solteiros (54,6%), sem filhos (55,7%) e dependentes (57,7%), moradia própria (62,8%), ensino médio completo (25,9%), católicos (54,1%), raça branca (79,1%), ocupação é o trabalho assalariado onde recebem de um a dois salários mínimos (42,6%), e utilizam cartão de crédito (59,75%). Quanto a dependência do crédito, nunca dependem do crédito (47,7%), gastam menos do que ganham (47,3%) e pagam suas contas sem quaisquer dificuldades (46%).Para as escalas testou-se o Alfa de Cronbach, sendo satisfatório após a exclusão de algumas questões pertencentes às escalas de endividamento e valor do dinheiro, assim foi criado os fatores. Através da estatística desse percebeu-se baixa propensão ao endividamento, baixo materialismo e um comportamento frente ao risco conservador. A educação financeira, os sentimentos e emoções e o valor do dinheiro apresentam um resultado mediano. Os testes não paramétricos demonstraram que há diferença no risco segundo gênero, escolaridade e posse de cartão de crédito. As mulheres, indivíduos com maior escolaridade e que possuem cartão de crédito apresentaram maior percepção do risco. No materialismo houve diferença no gênero e estado civil. Os homens, pessoas solteiras e separadas são mais materialistas. No valor atribuído ao dinheiro os homens, indivíduos casados, com maior nível de renda e da raça oriental conferem maior valor ao dinheiro. Sentimentos e emoções há diferença conforme o gênero, estado civil, escolaridade, religião, renda e o cartão de crédito. As mulheres, pessoas separadas, com mestrado completo, das religiões evangélica e espírita, com renda de 10 a 20 salários e que possuem cartão de crédito demonstram maiores sentimentos e emoções frente a divida. Na educação financeira percebe-se diferença quanto ao estado civil, escolaridade e renda. As pessoas casadas, com renda de 3 a 12 salários e com doutorado concluído possuem maior nível de educação financeira. No endividamento, os indivíduos com rendas menores e moradia financiada tendem a endividar-se mais, devido às restrições orçamentárias.Portanto, o endividamento é um tema relevante, baseado em fatores comportamentais, demográficos e culturais. A amostra estudada apresentou baixos níveis de propensão ao endividamento, mesmo com baixa renda. Isso pode ser influenciado pelo menor nível de materialismo e percepção de risco intermediária, fazendo os indivíduos controlarem seus gastos.Downloads
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Publicado
2013-03-15
Edição
Seção
Ciências Sociais Aplicadas
Como Citar
Propensão ao endividamento: uma análise de fatores comportamentais. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 4, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63940. Acesso em: 18 abr. 2026.