Aspectos ultrassonográficos de felino com pielonefrite ? Relato de caso
Palavras-chave:
Ultrassonografia, rim, gatoResumo
A pielonefrite decorre de processo inflamatório em pelve e parênquima renal desencadeado, geralmente, por infecções bacterianas ascendentes do trato urinário inferior. A afecção possui maior prevalência em fêmeas de idade avançada, acometendo principalmente a espécie canina, e menos frequentemente, a felina podendo ser uni ou bilateral. O diagnóstico baseia-se em exames físicos, laboratoriais, radiografia e ultrassonografia, sendo esta última mais indicada. O presente trabalho objetiva descrever as alterações renais ultrassonográficas encontradas em felino portador de pielonefrite. Um felino da raça Persa, macho, de aproximadamente seis anos de idade, foi encaminhado para o setor de diagnóstico por imagem do Hospital Universitário Veterinário da Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana-RS para avaliação abdominal geral, após suspeita clínica de doença renal policística. A ultrassonografia foi realizada em decúbito dorsal e por meio de transdutor de 7,5MHz. As alterações notadas foram assimetria renal constando das mensurações, em plano longitudinal, de comprimento, altura e pelve renais: rim direito com 4,02cm, 2,27cm e 1,0cm; e o esquerdo com 3,3cm, 1,64cm e 0,58cm, respectivamente. Adicionalmente, foram visibilizadas duas estruturas esféricas de contorno hiperecóico e conteúdo anecóico em região de cortical do rim esquerdo, de diâmetros de 0,29cm e 0,47cm cada, compatíveis com cistos renais. Ambos os rins apresentaram a região de córtex renal mais hiperecóica em relação ao parênquima esplênico e hepático, além de perda de definição entre região cortical e medular. Notou-se a presença de pontos hiperecóicos flutuantes em vesícula urinária. Segundo descrições na literatura, o rim de gatos saudáveis possuem comprimento de 3,66 ± 0,46cm e altura de 2,21 ± 0,28cm em planos longitudinais. Assim, nota-se que o felino apresentou aumento considerável da área do rim direito, bem como, dilatação de pelve renal bilateral, sendo mais evidente no rim direito. As alterações de aumento da área renal, dilatação de pelve renal, hiperecogênicidade cortical e perda de definição entre cortical e medular são compatíveis com a ocorrência de pielonefrite, conforme descrito na literatura. Entretanto, alguns autores ainda descrevem outras alterações como áreas hiperecóicas focais na medula renal, contorno renal irregular e dilatação ureteral, não observadas no caso. A presença de cistos renais foi classificada como achado incidental, sem significado clínico, como citado por alguns autores. Entretanto, devem ser realizados exames ultrassonográficos mais frequentes a fim de acompanhar se há a progressão destes. Conforme alguns estudos, persas são muito acometidos por doença renal policística, apresentando manifestações clínicas com idade de três a dez anos. Os achados em vesícula urinária são sugestivos de presença de cristalúria ou aumento de celularidade e devem ser seguidos de urinálise completa para sua diferenciação. Desta forma, pode-se concluir que as alterações ultrassonográficas observadas foram compatíveis com pielonefrite. Estes achados, associados à apresentação clínica e achados laboratoriais de bioquímica sérica e urinálise são capazes de confirmar suspeita da afecção. O padrão ultrassonográfico da pielonefrite deve ser divulgado para a comunidade e profissionais da área a fim de auxiliar seu diagnóstico na rotina clínica de pequenos animais e esta, deve ser cogitada como diagnóstico diferencial em suspeitas de doença renal policística em gatos.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Publicado
2013-03-15
Edição
Seção
Ciências da Saúde
Como Citar
Aspectos ultrassonográficos de felino com pielonefrite ? Relato de caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 3, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63610. Acesso em: 17 abr. 2026.