A Necessidade de Comunicação com Deficientes Auditivos em Contextos de Atenção Básica de Saúde

Autores

  • Denise Maia Leão
  • S. M. Pinheiro
  • O. M. Torres
  • L. Camatti

Palavras-chave:

Acessibilidade

Resumo

No ano 2000 foi sancionada no Brasil a lei número 10.098 que dispõe sobre a inclusão e promoção de acessibilidade de pessoas com deficiência, objetivando diminuir as barreiras entre essas pessoas e seus direitos básicos. Em 2002, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) ganhou espaço e foi reconhecida através da lei 10.436 como veículo oficial de comunicação e expressão para pessoas surdas. Nesse cenário, o profissional da área da saúde ao se deparar com um usuário surdo vê-se limitado no acolhimento e na prestação do cuidado especialmente pela dificuldade de comunicar-se adequadamente. Esse profissional deve ser o principal meio de oferta ao acesso de atendimento adequado, não sendo necessariamente relacionado com a deficiência, mas humanizado para assisti-lo de maneira integral e holística. Assim, objetiva-se através deste trabalho, relatar a experiência de alunas dos cursos de enfermagem, farmácia e fisioterapia durante visitas domiciliarias, promovidas a partir do Projeto de Extensão Práticas Integrada em Saúde Coletiva da Unipampa, na cidade de Uruguaiana/RS. Foram realizadas visitas semanais a família de pessoas com deficiência auditiva na área adstrita da Unidade Básica Tabajara Brites. Coletaram-se as informações por meio dos relatos da família durante as visitas domiciliarias, através de gestos, mímicas, escritas e com ajuda de uma agente comunitária de saúde que possui fluência em LIBRAS e interpretou as falas. Registraram-se em diário de campo todas as manifestações sobre acesso aos serviços de saúde para prevenção de agravos. Através dos relatos sobre o acesso e acolhimento no serviço da unidade de saúde, os membros da família referiram ter vivenciado dificuldades de comunicação, salientaram não conseguirem transmitir a mensagem nem entender ou processar o que o profissional quer e expressar nem sempre encontram resolutividade de suas necessidades especificas. Em relação à acessibilidade dos serviços de saúde, fica explicito através dos relatos dos sujeitos, a violação do princípio da equidade, pontuado no Sistema Único de Saúde. Evidenciou-se que estes pacientes não estão cientes do direito de assistência de saúde de forma igualitária previsto pelas políticas públicas e neste contexto, sentem-se desencorajados a procurar o serviço de saúde e usar adequadamente medidas de prevenção, como o exame preventivo de colo de útero, teste de glicemia, mamografia ou qualquer outra orientação, pois existe uma barreira em relação ao processo comunicativo, o que afeta a criação de vínculo, a adesão ao tratamento e interfere em sua qualidade de vida. Os discursos sugerem a falta de habilidade e preparo do profissional e do próprio serviço para atender essa demanda e comunicar-se com os surdos de maneira efetiva. Conclui-se, dessa forma, enfatizando a necessidade de que os profissionais precisam de conhecimentos específicos para comunicação com os deficientes auditivos, visando ofertar assistência qualificada, bem como a superação das barreiras de exclusão para que tenham suas necessidades atendidas de maneira integral. Para isso, é indispensável capacitação e a educação continuada das equipes de saúde envolvendo profissionais de diferentes níveis, sempre alicerçadas às diretrizes do SUS. 

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

A Necessidade de Comunicação com Deficientes Auditivos em Contextos de Atenção Básica de Saúde. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 3, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63604. Acesso em: 17 abr. 2026.