Percepção De Alunos Do Ensino Fundamental No MunicÍpio De São Gabriel, Rs, Sobre Os AnfÍbios Anuros: Uma Abordagem Etnozoológica Comparativa

Autores

  • Letiane Nascimento Da Ponte
  • Lucieli Lopes Marques
  • Jeferson Luis Steindorff De Arruda
  • Marcia Spies
  • Tiago Gomes Dos Santos

Palavras-chave:

Etnozoologia, alunos, anfíbios, anuros

Resumo

Cada indivíduo percebe, vivencia e interpreta o mundo à sua volta criando interações com os seres que ali vivem. Anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) são animais que usualmente despertam repulsa e/ou hostilidade na população. Esse fenômeno pode dificultar a conservação dos anfíbios no Brasil, onde ocorre a maior diversidade mundial. O presente trabalho tem como objetivo determinar o perfil de estudantes do ensino fundamental do município de São Gabriel, RS, quanto à percepção e hostilidade em relação aos anfíbios, contrastando escolas da rede rural (R) e urbana (U). A hipótese nula foi de que os alunos da rede rural apresentariam percepção mais conservacionista e menos hostil do que os alunos da rede urbana, em função do maior contato com esses animais no convívio diário. Assim, foram aplicados questionários quali e quantitativos (questões objetivas e subjetivas) a alunos de 1º e 5º anos e 8ª série durante os meses de agosto e setembro de 2012. No total foram realizadas 331 entrevistas, 224 com o grupo U e 107 com o grupo R. As respostas dos entrevistados foram agrupadas em categorias pré-definidas, a fim de comparação. De forma geral, os grupos R e U apresentaram grande similaridade, já que a maioria de ambos afirmou: i) já ter visto pessoalmente um anfíbio, ii) não ter pego na mão esse tipo de animal, iii) acreditar que eles podem causar perigo algum perigo à saúde humana, iv) não julgar correto matar anfíbios, bem como v) espantar ou não ter qualquer reação se encontrasse um anfíbio. Houve divergências em duas questões, já que o grupo U afirmou, em sua maioria, que os anfíbios são incomuns na região onde vivem e que sentem nojo ou medo quando os encontram, enquanto o grupo R considera que esses animais são comuns e não revela qualquer sentimento específico ao vê-los. As respostas mantiveram as mesmas tendências e foram congruentes entre as faixas escolares. Entretanto, alunos do 1º e 5º anos do grupo R apresentaram a tendência mais hostil que os da 8ª série, já que mais comumente afirmaram que se encontrassem, matariam os anfíbios. Além disso, houve tendência dos alunos do 1º ano do grupo R em considerar correto matar os anfíbios, enquanto que nas faixas posteriores a maioria dos alunos passou a considerar errado. Os dados coletados revelaram que o nível de hostilidade foi elevado em algumas faixas etárias dos grupos avaliados e que a sensação de nojo ou medo dos anfíbios, bem como a crença de que oferecem perigo à saúde humana são recorrentes. Desta forma, é evidente a necessidade de uso de metodologias que desmitifiquem e instruam os alunos sobre os anfíbios, como forma de aumentar a tolerância da população em relação a esses animais, e garantir a conservação do grupo.

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

Percepção De Alunos Do Ensino Fundamental No MunicÍpio De São Gabriel, Rs, Sobre Os AnfÍbios Anuros: Uma Abordagem Etnozoológica Comparativa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 3, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63526. Acesso em: 17 abr. 2026.