Utilização de Ervas Condimentares e Medicinais pela Comunidade Ribeirinha De Uruguaiana-RS, Pampa Gaúcho

Autores

  • Mario Davi Dias Carneiro
  • A. M. R. Geraldo
  • F. E. Araújo
  • M. A. V. Luques
  • C. I. Funguetto

Palavras-chave:

Pescadores, Defeso, Inserção.

Resumo

Ervas condimentares são os vegetais que possuem algum aroma ou melhoram a palatabilidade dos alimentos. As ervas medicinais são vegetais utilizados há milênios por povos de diferentes localidades que empiricamente sabiam de suas propriedades terapêuticas. Com o desenvolvimento da ciência uma série destes vegetais tiveram suas propriedades descobertas e seus usos comprovados, virando alvo de pesquisas e produção farmacêutica. Muitos vegetais condimentares são concomitantemente medicinais, e ainda outros têm apenas o ultimo benefício sendo da mesma forma muito utilizados. O programa Mulheres pescadoras do Pampa tem como intuito atuar transformando a realidade das comunidades de pescadores das cidades de Uruguaiana e Itaqui, através de oficinas e cursos de capacitação ministrados durante o período do defeso (época de piracema), quando fica proibida a pesca em razão da reprodução dos peixes. Esta transformação está atrelada principalmente ao uso de ervas condimentares como agente agregador de valor ao pescado ?in natura? ou processado de alguma forma ou consumo com fins terapêuticos. Para atingir seus objetivos, primeiramente foi elaborado um questionário com 60 perguntas abertas e fechadas sobre questões econômicas, pesca, ervas condimentares e medicinais. Após esta caracterização e ouvidos os trabalhadores e trabalhadoras da pesca, foi concluído que a melhor inserção das capacitações se daria em outubro. Como resultado do questionário, quanto à utilização de ervas condimentares e medicinais pode-se afirmar que a macela, Achyrocline satureoides é a mais utilizada, sendo usada por 81,69% dos entrevistados seguida de boldo, Plectranthus spp. (78,87%), capim-cidró, Cymbopogon citratus (67,60%), funcho, Foeniculum vulgare (59,15%), alho, Allium sativum (57,74%), camomila, Matricharia recutita (54,92%), hortelã, Mentha spp. (54,92%), sálvia, Salvia officinalis (54,92%), Alecrim, Rosmarinus officinalis (47,88%), agrião, Nasturtium officinales (43,66%), melissa, Melissa officinales (39,43%), mentruz, Ageratum conyzoides (33,80%), erva de bicho, Polygonum punctatum (32,39%), salsaparrilha, Smilax sp. (25,35%), alho-poró, Allium porrum (11,26%) e erva de capitão, Hydrocotyle sp. (5,63%). Após análise das respostas, ficou evidenciado que trabalhadores e trabalhadoras da pesca utilizam plantas condimentares ainda em pequena escala, resultado que sugere a necessidade de projetos visando incentivar o uso de ervas condimentares como possibilidade de agregação de valor ao pescado, aumento e geração de renda. A partir dos resultados da avaliação realizada, foram elaboradas cartilhas e folders apresentando informações sobre as ervas condimentares e medicinais, usos e contra-indicações, tendo sido consultados referenciais teóricos publicados. Os dados da revisão bibliográfica que compõem os informativos demonstram que as duas ervas mais citadas pelos ribeirinhos, macela e boldo, têm propriedades terapêuticas, não se prestando para uso condimentar. As ervas mencionadas auxiliam no tratamento de problemas estomacais e hepáticos, como antiespasmódica e relaxante muscular, evitando vírus e aumentando a imunidade, para a primeira; curando infecções do fígado e como digestivo, principalmente, para a segunda. Foi possível concluir que a difusão de conhecimentos sobre ervas condimentares e medicinais foi considerada relevante pelos ribeirinhos e que vai auxiliar na melhoria da qualidade de vida das comunidades de pescadores e pescadoras artesanais locais. O Programa de Extensão Mulheres pescadoras do Pampa está em andamento, sendo executado com recursos do Edital PROEXT/MEC 2011.

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

Utilização de Ervas Condimentares e Medicinais pela Comunidade Ribeirinha De Uruguaiana-RS, Pampa Gaúcho. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 3, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63514. Acesso em: 17 abr. 2026.