Programa Anauê: Inclusão IndÍgena Na Unipampa

Autores

  • Onório Isaias De Moura
  • Joseane Giacomelli Da Silva Reck
  • Rogéria Guttier
  • Amanda Meincke Melo

Palavras-chave:

Ações Afirmativas, Programa Anauê, Desenvolvimento Acadêmico Indígena

Resumo

O acesso ao ensino superior por indígenas é de grande importância para adquirir conhecimentos na sociedade dos não-índios, favorecendo a autonomia em relação aos seus direitos. A UNIPAMPA, através do Programa Anauê, abriu suas portas, em 2012, para o ingresso de estudantes indígenas. O programa tem como objetivo garantir a inclusão e a permanência desses estudantes na UNIPAMPA. Este trabalho apresenta o relato de experiência de um acadêmico da etnia Kaingang, da Comunidade Indígena de Serrinha, em seus primeiros meses no curso de Engenharia de Software do Campus Alegrete. O ingresso na Universidade aconteceu a partir da realização de prova de Redação. Selecionados os estudantes, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários (PRAEC) deslocou-se até a Comunidade Indígena de Guarita para comunicar o resultado, apresentar o Programa Anauê e seus benefícios à permanência dos estudantes indígenas na Universidade, a data de matrícula, entre outros. Os estudantes selecionados, então, organizaram-se para realizar sua matrícula com apoio de transporte da Fundação Nacional do Índio (Funai), que os conduziu de Campus em Campus. A matrícula, no Campus Alegrete, ocorreu no dia 12/03/2012, quando também iniciavam as atividades letivas. Um tutor e um monitor foram selecionados para acompanhamento do desenvolvimento acadêmico do estudante. O tutor foi indicado pela Coordenação do Curso. Já o monitor foi selecionado em edital específico, tendo iniciado suas atividades após um mês do ingresso do estudante indígena na Universidade. Apesar da demora inicial, o trabalho e o acompanhamento do monitor foram relevante à integração no ambiente acadêmico e para superação de dificuldades nas disciplinas. Ele também colaborou ao manuseio de ferramentas da informática, utilizadas intensamente no curso. Este apoio foi fundamental, pois o estudante nunca havia entrado em contato com um computador antes. Ainda assim, observa-se que deveria ter um acompanhamento anterior ao início das atividades letivas, para conhecimento do ambiente universitário e acesso a ferramentas consideradas essenciais ao desenvolvimento do curso. Este poderia minimizar algumas dificuldades enfrentadas na chegada à Universidade. O acompanhamento pelo tutor deu-se, inicialmente, para tratar das possibilidades em benefício da comunidade de origem do estudante. Da matrícula até o presente momento, destaca-se o apoio do NuDE como espaço de referência, de escuta, de orientações, de apoio a resolução de problemas, de encaminhamentos etc. Por ser indígena e por falta de informação, o ambiente universitário era totalmente desconhecido. Com isso, foram enfrentadas algumas dificuldades que, para uma pessoa não indígena, podem ser consideradas simples, por exemplo, a adaptação de morar no meio urbano, dividir o ambiente doméstico com outras pessoas totalmente desconhecidas, a necessidade de estudar o dia todo - o que não é comum fora do ambiente universitário, o desconforto na articulação dos costumes indígenas com os não indígenas. De qualquer modo, os desafios enfrentados até o momento motivam a elaboração de um projeto de inclusão digital voltado à comunidade de origem do estudante, a partir do contato das pessoas envolvidas em seu desenvolvimento acadêmico (tutor, monitor, pedagoga do NuDE etc.) com sua realidade.

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

Programa Anauê: Inclusão IndÍgena Na Unipampa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 1, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63395. Acesso em: 15 abr. 2026.