Inclusão E Permanência De Estudantes IndÍgenas Na Universidade Federal Do Pampa

Autores

  • Quelci Liane Vale Pedroso
  • Fernanda Moura

Palavras-chave:

Índios Kaingáng, Programa Anauê, Monitoria Indígena

Resumo

Uma das maiores dificuldades humanas é conviver e aceitar as diferenças. Talvez por isto tenhamos levado cerca de meio século para que a Constituição brasileira reconhecesse o direito dos povos indígenas de ter uma educação diferenciada, preservando suas tradições, costumes e valores. Tanto a sabedoria e o conhecimento acumulado por esses povos têm importância para nós quanto o conhecimento científico e tecnológico, que conquistamos, é útil para eles. Contudo, a parte difícil da questão é promover a troca de saberes, sem dissolver culturas. Atendendo às políticas de inclusão social, a UNIPAMPA criou o O Programa Anauê, que tem como objetivo garantir a inserção e a permanência dos estudantes indígenas aldeados na Universidade, promovendo seu acolhimento e protagonismo no processo de ensino-aprendizagem.Para poder realizar a inclusão educacional dos alunos indígenas na Universidade, foi preciso conhecer a vivência, os costumes e as experiências vividas por eles. Para isso, a equipe que participa do PROGRAMA ANAUÊ, formada por alunos indígenas, monitores, professores e técnicos da UNIPAMPA, realizaram uma viagem para a terra indígena Guarita em Tenente Portela. Os objetivos principais desta visita foram conhecer o ambiente em que os acadêmicos indígenas vivem, seus costumes, sua família, proporcionando troca de experiências, além de esclarecer algumas dúvidas da própria comunidade Kaingáng sobre a Universidade. Durante a viagem pode-se compartilhar experiências e relatos sobre o andamento dos primeiros meses de convivência com os estudantes indígenas, onde o tópico principal foi a motivação e a relação dos acadêmicos indígenas no ambiente universitário sem desconsiderar suas tradições. Foi uma viagem muito gratificante, onde nós alunos monitores tivemos a oportunidade aprender um pouco mais sobre essa comunidade. Os Kaingáng pertencem ao tronco lingüístico Macro-Jê e estão em contato permanente com não-índios desde o século XVIII. Atualmente, constituem um dos povos indígenas mais numerosos do país. Estão distribuídos em terras indígenas nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, encontram-se hoje confinados a uma pequena parcela de seus territórios originais.A expectativa da comunidade indígena é de que os acadêmicos índios, após concluírem seus estudos, retornem às suas aldeias e comunidades, aplicando os conhecimentos adquiridos na Universidade para a melhoria da condição de vida e desenvolvimento da comunidade, eles relatam também a saudade que sentem de seus familiares e o que pretendem fazer para ajudar seu povo. Segundo os representantes indígenas, é importante garantir apoio pedagógico e financeiro para que eles possam ingressar na graduação. Muitos alunos chegam à instituição sem conhecer muito a rotina na sala de aula , os espaços para diálogo e o compromisso, tudo deve favorecer a convivência para que não ocorra a evasão, que é um dos problemas que separa índios da universidade. Ao valorizar o saber dos estudantes indígenas eles se sentem respeitados e à vontade para participar dos processos coletivos de construção de conhecimentos. Neste sentido podemos abordar as manifestações culturais tradicionais presentes na comunidade e dialogar a memória desses povos.

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

Inclusão E Permanência De Estudantes IndÍgenas Na Universidade Federal Do Pampa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 1, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63384. Acesso em: 16 abr. 2026.