Pesca Artesanal: Relato De Experiência De Um Pescador De Uruguaiana-rs, Pampa Gaúcho
Palavras-chave:
direitos dos pescadores artesanais, políticas públicas para pescadores artesanais, Território de Pesca MissõesResumo
No município de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, existem cerca de 600 pescadores artesanais cadastrados nas duas entidades que representam esta classe de trabalhadores e trabalhadoras da pesca: Associação de Pescadores Artesanais e Colônia de Pescadores Z-9, pertencentes ao Território de Pesca Missões. O Programa de Extensão Mulheres Pescadoras do Pampa realiza, desde 2011, atividades para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, através dos cursos de Agronomia e Tecnologia em aqüicultura, da Universidade Federal do Pampa ? UNIPAMPA. O cultivo de ervas condimentares, produção de temperos, o correto processamento e armazenamento do pescado são alguns dos temas abordados em oficinas, palestras, reuniões e rodas de conversa com os pescadores visando a valorização do produto vendido e também a valorização pessoal, fazendo com que a classe pescadora, em especial as mulheres, tenham melhor qualidade de vida. Em um primeiro momento foram realizadas reuniões, visitas às entidades pesqueiras e entrevistas para caracterização das comunidades e ajuste das ações propostas. A partir daí foram organizados materiais didáticos para serem utilizados nas qualificações e oficinas, previstas para serem executadas no período de defeso ? época da piracema, quando a pesca é proibida em virtude da reprodução dos peixes, entre setembro a janeiro. A partir de conversas com um pescador, Seu Antonio Luiz da Silva, Presidente da Associação de Pescadores Artesanais de Uruguaiana, foi coletado um relato sobre suas experiências já vivenciadas e suas perspectivas em relação ao futuro dos trabalhadores e trabalhadoras da pesca junto ao rio Uruguai. Marinheiro aposentado, com mais de 70 anos de idade, Seu Antonio defende os direitos dos pescadores e pescadoras artesanais há muitos anos e compartilha das opiniões que demais colegas de profissão. Sua principal luta é para garantir os direitos dos pescadores e como presidente da Associação de Pescadores Artesanais, que existe desde 1997, trabalhando para que as próximas gerações possam usufruir desses direitos. Conhecedor das leis, dos rios e da vida ribeirinha, contou como era a pesca antigamente. As matas intocadas, animais para caçar, peixes para pescar. Falou ainda dos muitos danos aos rios causados pelas bombas de sucção e descarte de produtos tóxicos, coisas que antigamente não eram comuns e que agora representam um grande perigo à natureza e à pesca, segundo Seu Antonio. Receptivo às atividades de extensão da UNIPAMPA, acredita que a capacitação dos pescadores e políticas públicas que atendam aos anseios dos pescadores artesanais dos rios, que são diferentes daquelas para o pescadores do mar, são a chave para a valorização da pesca artesanal. Seu Antonio deposita grande confiança nas iniciativas do Programa Mulheres Pescadoras do Pampa, que está sendo desenvolvido no presente ano, pela UNIPAMPA, como forma de promover a troca de conhecimentos entre acadêmicos e comunidade de pescadores e pescadoras que exercem suas atividades junto ao Rio Uruguai, visando à agregação de valor produto do seu trabalho, gerando um aumento na renda familiar e proporcionando uma melhor qualidade de vida. O Programa está em andamento com recursos do edital PROEXT/MEC 2011.Downloads
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Publicado
2013-03-15
Edição
Seção
Ciências Agrárias
Como Citar
Pesca Artesanal: Relato De Experiência De Um Pescador De Uruguaiana-rs, Pampa Gaúcho. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 1, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63192. Acesso em: 18 abr. 2026.