Contratura Bilateral De QuadrÍceps IdiopÁtica Em Cão-relato De Caso

Autores

  • Bárbara C. R. Da Silveira
  • T. N. Guim
  • D. B. S. Verdum
  • M. L. A. Mistieri

Palavras-chave:

ortopedia, canino, miosite

Resumo

 O quadríceps é formado pela conjunção dos músculos vasto lateral, vasto medial, vasto intermédio e reto femoral, e atua como mecanismo extensor do joelho. Sua contratura é alteração incomum, que culmina por modificação da arquitetura normal dos músculos e substituição por tecido fibroso. Resulta em redução funcional, comprometimento do movimento do joelho e deambulação. É observada com frequência em pacientes jovens, como complicação de fratura distal do fêmur. Pode decorrer também de alteração congênita, infecção por toxoplasmose ou neosporose, disfunção neurológica, iatrogênica ou idiopática. O presente trabalho relata o caso de contratura bilateral de quadríceps idiopática em cão. Foi apresentado ao Hospital Universitário Veterinário da UNIPAMPA, fêmea da raça Labrador Retriever, com 5 meses de idade e incapacidade de ambulação há 2 meses. O animal apresentara ambulação anormal com três semanas de vida e piora progressiva. Não havia histórico de trauma e tampouco envolvimento familiar. O cão vivia em meio rural. Ao exame físico, o animal apresentava hiperextensão bilateral dos membros pélvicos e impossibilidade de flexão dos joelhos. Observou-se genu recurvatum bilateral e a adoção de postura de ?cão sentado?. Nenhuma alteração neurológica foi detectada. Foi procedido hemograma completo e sorologia para toxoplasmose e neosporose, radiografia das articulações do joelho, em duas projeções, ultrassonografia da musculatura envolvida e biópsia excisional do músculo vasto lateral de um dos membros, para posterior avaliação histológica. O hemograma completo estava dentro dos padrões para a espécie; o exame radiográfico demostrou alto grau de deformidade de côndilos femorais, compactação articular e deformidade de côndilos tibiais em ambos os membros, com fises ainda abertas. A ultrassonografia revelou hiperecogenicidade difusa da musculatura caracterizando fibrose, diminuição de sua área total em plano transversal e nenhuma calcificação. A histopatologia revelou atrofia severa e degeneração muscular. A principal suspeita era que a contratura fosse de origem infecciosa, pois, o cão possuía livre acesso à carne crua, vísceras de ruminantes abatidos e fezes em seu habitat. O ciclo epidemiológico do Toxoplasma gondii e Neospora caninum incluem cães e gatos como hospedeiros definitivos, e ruminantes, equinos e outras espécies como hospedeiros intermediários. A transmissão do agente pode ser por via transplacentária ou ingestão dos oocistos. Cães podem manifestar sintomas relacionados ao sistema nervoso central e muscular. No tecido muscular, pode haver paralisia ascendente dos membros pélvicos, podendo haver hiperextensão rígida, decorrente da miosite. Não havia histórico de imobilização prolongada do membro em extensão ou uso de medicações intramusculares, que colaborassem com a origem iatrogênica. Porém, o exame sorológico excluiu a hipótese de contratura decorrente de miosite infecciosa (neosporose e toxoplasmose), sendo negativo para ambas. Logo, por exclusão de outras causas, a afecção foi classificada como de origem idiopática. Atualmente, o cão encontra-se sobre tratamento fisioterápico enquanto aguarda o fechamento das fises para posterior artrodese bilateral do joelho. A contratura de quadríceps idiopática, embora rara, pode ser observada na rotina clínica de pequenos animais e deve ser considerada como diagnóstico diferencial de contraturas musculares.

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

Contratura Bilateral De QuadrÍceps IdiopÁtica Em Cão-relato De Caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 1, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63166. Acesso em: 19 abr. 2026.