Sistema de produção e gestão de recursos forrageiros em propriedades de pecuária familiar no Território do Alto Camaquã / Rio Grande do Sul
Palavras-chave:
Sustentável, campo nativo, pecuária de corte, diferimento, bioma pampaResumo
A modernização da agricultura teve como princípio a transformação de sociedades ?tradicionais ou atrasadas? em ?modernas ou avançadas?. No Rio Grande do Sul esta modernização acabou criando padrões diferenciados e específicos de acordo com as particularidades socioeconômicas, ambientais e culturais. O objetivo deste estudo é analisar as características de gestão e os sistemas de produção dos pecuaristas familiares do Território Alto Camaquã/RS. A amostragem foi do tipo não aleatória e não probabilística. Os dados foram coletados a partir da aplicação de 18 questionários, contendo questões abertas e fechadas. Os mesmos foram aplicados nos meses de agosto e setembro de 2010 em seis municípios do Território Alto Camaquã (Bagé, Caçapava do Sul, Lavras do Sul, Pinheiro Machado, Piratini e Santana da Boa Vista). O tamanho das propriedades rurais no presente estudo variou de 15 a 354 ha. Considera-se pecuarista familiar o detentor de terras ou arrendatário de até 300 ha, no entanto, uma propriedade excedeu esta área, mas preservou as características de uma propriedade de pecuária familiar típica. Em todas as propriedades, além da produção de bovinos de corte, outras atividades são realizadas: ovinos de corte (75%); ovinos e caprinos de corte (12,5%); ovinos de corte, arroz e soja (4,16%) com arrendamento para terceiros; ovinos de corte e arroz (4,16%) e ovinos, caprinos de corte e indústria caseira (4,16%). O sistema de produção predominante relacionado à bovinos de corte é o de cria/recria (70,83%), e em 29,17% cria. Os animais são mantidos em campo nativo (CN), na forma extensiva. Este sistema é bastante usado na pecuária de corte, tem como base o manejo da diversidade de espécies forrageiras nativas, o baixo custo de alimentação, o baixo uso de tecnologia e, se bem gerido, a preservação do Bioma Pampa. Os principais recursos forrageiros utilizados são o CN com potreiros diferidos, observados em 33,2% das propriedades; o CN e pastagens cultivadas (aveia, azevém, trevo) em 29,2% delas; em 12,5% a base forrageira predominante o CN; o CN melhorado e CN com potreiros diferidos é observado em 8,3% das propriedades; em 8,4% observa-se a utilização de CN melhorado, sendo que algumas também registram a presença de pastagem cultivada (aveia, azevém); o CN com potreiros diferidos e pastagem cultivada é verificado em 4,2%; e o CN melhorado, combinado com com potreiros diferidos e pastagem cultivada é verificado em 4,2% das propriedades. Quanto à gestão dos recursos forrageiros, predomina o sistema tradicional, com uma menor adesão às tecnologias, influência cultural da região. No entanto, alguns produtores, em estação fria ou em restrição hídrica, com diminuição de massa e qualidade forrageira do campo, se previnem produzindo pastagens (gramíneas e leguminosas) adaptadas a estação ou diferindo áreas, visando reservar forragem. O manejo adequado destas áreas pode contribuir no sentido de combinar produção sustentável e preservação do Bioma Pampa.Downloads
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Publicado
2013-02-03
Edição
Seção
Ciências Agrárias
Como Citar
Sistema de produção e gestão de recursos forrageiros em propriedades de pecuária familiar no Território do Alto Camaquã / Rio Grande do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 3, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/62868. Acesso em: 18 abr. 2026.