Abscesso subdural extramedular em um ovino ? relato de caso
Palavras-chave:
ovino, tetraparesia, abscesso subdural, mielografiaResumo
No município de Uruguaiana-RS destacam-se as criações de ovinos de alto valor zootécnico. O conhecimento das doenças de ovinos, nas diferentes regiões do Brasil é importante para a eficiência no diagnóstico, profilaxia e controle. Este trabalho objetivou relatar os sinais clínicos, achados radiográficos e patológicos de um caso de abscesso subdural em ovino. Um carneiro da raça Crioula, com 3 anos de idade, foi encaminhado à clínica de grandes animais do HUVet-Unipampa por apresentar relutância em se locomover e permanecer com frequência em decúbito esternal. Realizou-se exame clínico geral, do sistema locomotor e hemograma. Foi instituído tratamento com anti-inflamatório (flunixim meglumine). Posteriormente foi realizado exame neurológico complementar e avaliação radiológica contrastada da coluna cervical, com o animal anestesiado. Ao exame clínico observou-se apenas relutância em se locomover. O hemograma não apresentou nenhuma alteração digna de nota. Após quatro dias o ovino apresentou debilidade, decúbito esternal permanente e bruxismo. Notou-se hiporreflexia e diminuição de sensibilidade superficial em membros torácicos e hiperreflexia em membros pélvicos. Suspeitou-se de lesão entre a sexta vértebra cervical e segunda torácica. Através da mielografia em projeção lateral evidenciou-se interrupção da coluna de contraste na região da sexta vértebra cervical. Devido à gravidade do caso, o animal foi submetido à eutanásia. Na necropsia observou-se estrutura elíptica com 2,5x1,5x1,5 cm, de consistência flutuante no canal medular no espaço subdural, posicionado latero-ventral direita a medula espinhal, esta comprimida. Ao corte, fluiu material amarelo semelhante a pús, confirmando a suspeita de abscesso cervical subdural extramedular. Apesar dos abscessos vertebrais acometerem especialmente ovinos jovens, animais adultos podem ser afetados. São lesões inflamatórias normalmente associadas a uma lesão crônica supurativa em outra região como infecções no umbigo, feridas de castração e caudectomia ou lesões vertebrais que facilitam a colonização bacteriana. No caso descrito não foi possível associar o abscesso a uma lesão primária mais recente. Os sinais clínicos são progressivos, levando o animal ao decúbito em 3 e 10 dias. Dependendo da localização do abscesso, são afetados os membros torácicos, pélvicos ou ambos. Animais com lesão entre a sexta vértebra cervical e a segunda torácica podem levantar a cabeça, mas permanecem em decúbito e tanto os membros torácicos quanto os pélvicos apresentam paralisia espástica. As doenças do sistema nervoso central são variáveis, requerem exame clínico neurológico detalhado e complementar para diagnóstico. No caso de abscessos subdurais, a localização requer exame físico preciso e confirmação radiográfica. A alteração deve ser incluída como diagnóstico diferencial em animais adultos.Downloads
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Publicado
2013-02-03
Edição
Seção
Ciências Agrárias
Como Citar
Abscesso subdural extramedular em um ovino ? relato de caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 3, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/62863. Acesso em: 18 abr. 2026.