Análise e desconstrução da argumentação política de Guilherme Fiuza

Autores

  • Nycolas Ribeiro De Araújo
  • Lays Elizandra Madeira Borges
  • Marcelo Rocha

Palavras-chave:

Comunicação, argumentação, persuasão, discurso, política

Resumo

A comunicação não se resume no envio de uma mensagem ao receptor, ou seja, não serve apenas para a transmissão de informações; comunicar também faz parte de um jogo de interesses entre emissor e receptor. Quando se tem a intenção de persuadir o ouvinte/leitor para determinada ideia que defendemos ao nos expressar, queremos que ele a aceite e creia no que lhe foi apresentado. Argumentar é convencer, persuadir, fazer crer. Segundo Adilson Citelli, os discursos persuasivos podem formar, reformar ou conformar opiniões e perspectivas postas por emissores e enunciadores que visam influenciar o ponto de vista de seu público alvo sobre determinado assunto. Seguindo com o que é apresentado no livro ?Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever, aprendendo a pensar?, para realizar uma boa argumentação há é necessário que esta possua consistência no raciocínio (princípios da lógica) e na evidência das provas durante o desenvolvimento do texto, que sustentam a ideia defendida com o auxílio de fatos, exemplos, dados estatísticos, testemunhos e ilustrações. A estrutura da argumentação informal (que não difere muito da formal) é baseada em quatro estágios: a proposição (declaração, tese, opinião), a concordância parcial, a contestação ou refutação, e por fim a conclusão. Na edição de número 649 (25 de outubro de 2010) da Revista Época, o jornalista Guilherme Fiuza publicou na coluna ?Nossa Política? um texto carregado de críticas irônicas a respeito do apoio recebido no manifesto de artistas e intelectuais à candidatura da presidenta Dilma Rousseff que, até então, não tinha ganhado as eleições de 2010. A argumentação do jornalista gira em torno da publicidade da campanha eleitoral petista sobre a candidata, que a tornou uma mulher preparada para assumir o ?legado? deixado por Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo que as atitudes dela provem o contrário. Em seu texto, Fiuza brinca com fatos políticos e ironiza claramente os atos de Dilma no decorrer de sua campanha, dando destaque às suas gafes na mídia. A proposição de Fiuza está logo no primeiro parágrafo e no título do texto, que faz menção ao manifesto pró-Dilma, que foi anunciado no Teatro Casa Grande no Rio de Janeiro em 18 de outubro de 2010. Ainda que não haja concordância parcial e nem contestação pela parte do autor em sua argumentação, sua proposição é solidificada pelo uso de fatos durante o desenvolvimento de sua tese, que mostra o manifesto dos artistas e intelectuais como desonesto por apoiar uma candidata inabilitada para um cargo de alto porte e responsabilidade. São feitas altas críticas durante o texto, que, por sua vez, podem ser claramente contestadas por quem tiver uma ideia contrária, já que o que é apresentado não é uma verdade universal, apesar das evidências. A argumentação de Guilherme Fiuza transgride os quatro estágios propostos pela estrutura da argumentação informal/formal, entretanto isso não a torna menos persuasiva e coerente.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Publicado

2013-02-03

Como Citar

Análise e desconstrução da argumentação política de Guilherme Fiuza. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 1, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/62761. Acesso em: 17 abr. 2026.