Atuação da Fisioterapia na Enurese Infantil: uma revisão

Autores

  • Luciane Scherer Pahim
  • Anderson. Cattelan
  • Anderson Cattelan

Palavras-chave:

enurese, fisioterapia

Resumo

A palavra enurese vem do grego enourein que significa fazer urina ou urinar. A enurese infantil é então definida como uma disfunção que se caracteriza pela perda de urina involuntária durante uma idade em que a criança já deveria ter obtido controle miccional. A enurese pode estar associada a três fatores: redução da capacidade vesical noturna e hiperatividade detrusora, por um retardo da maturação neurológica responsável pelo controle vésico-esfincteriano; alteração da regulação na liberação da arginina vasopressina pelo hipotálamo, o que acarreta aumento da produção de urina a ponto de ultrapassar a capacidade funcional da bexiga; e/ou incapacidade da criança em acordar em resposta a estímulos da bexiga cheia (YEUNG et al, 2002). Embora seja uma situação benigna, a enurese deve ser identificada e tratada o mais precocemente possível, pois o tratamento precoce pode diminuir futuras repercussões sociais e psicológicas que podem afetar a autoestima e sociabilidade da criança. (RODRIGUES, 2000; FONSECA & MONTEIRO, 2004). Estudos recentes demonstram que a fisioterapia associada a mudanças comportamentais pode contribuir no tratamento clínico da criança ou adolescente enurético (CAMPOS, 2008; AUSTIN & CAPLIN, 2007). Desta forma, buscou-se uma revisão bibliográfica que identificasse as abordagens fisioterápicas no tratamento da enurese. Para a realização da revisão pelo método on line não foi utilizado limite de tempo, buscando não excluir, caso existissem alguns estudos clássicos sobre enurese infantil. Utilizou-se as bases de dados MEDLINE, LILACS, Web of Science e SCIELO com os seguintes descritores: enuresis and treatment. Empregaram-se ainda outras fontes de pesquisa como bibliotecas e livros especializados. Foram encontrados 407 artigos relativos ao assunto enuresis e uma dissertação. Descartaram-se os artigos que se referiam ao tratamento exclusivamente psicológico. CAMPOS (2008) em sua monografia de mestrado dividiu 47 crianças em dois grupos. Um grupo foi tratado com medicação, a oxibutinina, indicada para estes casos, associando-a a uma terapia comportamental, que propõe uma mudança ou reeducação dos hábitos miccionais e de ingestão de líquidos. O outro grupo foi tratado com a terapia comportamental e um protocolo de cinco exercícios para reforço dos músculos do assoalho pélvico e músculos acessórios, como abdominais, adutores e glúteos. Foram três meses de acompanhamento semanais ou mensais de acordo com o grupo, e as crianças eram orientadas a repetirem em casa, duas vezes na semana. O primeiro grupo, tratado com medicação, apresentou no primeiro mês 12 noites secas, no segundo mês, 13, e no terceiro, 16. Enquanto o segundo grupo alcançou o resultado de 15 noites secas no primeiro mês, 21 no segundo mês e, no terceiro, 24, mostrando desta forma uma melhor eficácia com o tratamento fisioterapêutico. Conclui-se que o tratamento fisioterápico associado a uma terapia comportamental mostra-se eficiente no tratamento da enurese infantil.

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Publicado

2013-02-03

Como Citar

Atuação da Fisioterapia na Enurese Infantil: uma revisão. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 1, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/62621. Acesso em: 18 abr. 2026.