Oficinas Sobre Sexualidade Com Adolescentes Escolares: Um Relato De Experiência

Autores

  • Fernanda Campanaro Giessler
  • Caren Regina Fernandes¹
  • Camila Amthauer

Palavras-chave:

Sexualidade, Educação em Saúde, Profissionais da Saúde

Resumo

Estima-se que, conforme a Organização Mundial de Saúde, cerca de 50% das novas infecções pelo HIV no mundo estão ocorrendo na adolescência. Em torno de 70% dos casos de Aids ocorrem na faixa de 20 a 39 anos, sendo que o portador da enfermidade pode ficar assintomático em média de 10 a 15 anos, observa-se que a maioria dos casos de infecção de Aids deu-se da adolescência ao início da idade adulta. A vulnerabilidade do jovem vem sendo apontada também com relação à gravidez (BRASIL, 2001). De acordo com Bruno e Bailey (1998), no Brasil, 18% das adolescentes de 15 a 19 anos já tiveram pelo menos um filho ou estão grávidas. Segundo Villela (1996), as oficinas devem ser baseadas em técnicas lúdicas, vivências e dinâmicas de grupo. Tal metodologia possibilita trabalhar, simultaneamente, os aspectos cognitivos e afetivos da sexualidade, lidando, de modo articulado, com idéias, valores, práticas e comportamentos. Trata-se de um relato de experiência das oficinas realizadas com adolescentes em idade escolar, onde eram abordados e discutidos temas como sexualidade. As atividades foram realizadas durante o sexto semestre de Enfermagem da UFSM-CESNORS. Essas oficinas possibilitaram que os adolescentes esclarecessem suas dúvidas relacionadas a sexualidade, gravidez e DST?s. Muitos adolescentes não têm essa abertura para conversar com seus pais e acabam ficando alheios a essas informações, não tomando as precauções necessárias para sua proteção, podendo ser vítimas de uma DST ou uma gravidez indesejada. Segundo Chauí (1987), as transformações dessa fase da vida fazem com que o adolescente vive intensamente sua sexualidade, manifestando-a através de práticas sexuais desprotegidas, podendo se tornar um problema devido à falta de informação, de comunicação entre os familiares, tabus ou mesmo pelo fato de ter medo de assumi-la. A evolução de suas sensações, comportamentos e decisões sexuais serão influenciadas pelas interações que desenvolve com outros jovens do seu vínculo familiar e social. A realização de oficinas a partir da aprendizagem compartilhada, na qual os coordenadores não ensinam o ?certo e o errado?, mas facilitam o debate entre os pares a partir de dúvidas, opiniões e valores, remete os participantes à possibilidade de ampliar os seus próprios recursos de autoproteção (CAMARGO; FERRARI, 2009). As oficinas podem ser encaradas como espaços terapêuticos a partir do momento em que possibilitem aos sujeitos um lugar de fala, expressão e acolhimento (LAPPANN-BOTTI; LABATE. 2004). A realização de oficinas permite ao adolescente um espaço de discussão, de troca de experiências pessoais e de grupo, e o debate de suas próprias práticas. É necessário que se continue fazendo esse trabalho de educação em saúde, abrindo espaços para que os adolescentes possam refletir sobre suas práticas e esclarecer suas dúvidas, de modo que se obtenham maiores informações e, a partir disso, possam estar tomando as devidas precauções para a proteção da sua saúde.

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Publicado

2013-02-03

Como Citar

Oficinas Sobre Sexualidade Com Adolescentes Escolares: Um Relato De Experiência. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 1, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/62575. Acesso em: 17 abr. 2026.