Infecção por Dioctophyma renale em cão: relato de um achado incidental e aspecto epidemiológico envolvido, no munícipio de Uruguaiana-RS

Autores

  • Fernanda Porcela Dos Santos
  • Maria Lígia Mistieri
  • João Paulo Da Exaltação Pascon

Palavras-chave:

Dioctofimose, infecção renal, hospedeiro definitivo, ciclo biológico

Resumo

A dioctofimose é uma enfermidade parasitária zoonótica causada pelo nematódeo Dioctophyma renale, de distribuição cosmopolita e baixa incidência no Brasil. Seu ciclo biológico indireto é considerado complexo e não totalmente compreendido, envolvendo um hospedeiro intermediário de hábitos aquáticos (anelídeo oligoqueta parasita de crustáceos), diversos hospedeiros paratênicos (peixes, rãs, etc) e hospedeiros definitivos (canídeos, suínos, equinos, bovinos, homem, etc). A perpetuação do ciclo depende da infecção renal de hospedeiros definitivos, em suas formas macho e fêmea, para eliminação de ovos na urina e contaminação do ambiente. Em condições diferentes de parasitismo, considera-se o hospedeiro definitivo terminal por não possibilitar a continuidade do ciclo, como observado em grande parte dos cães acometidos. Desta forma, objetivamos por meio deste trabalho relatar a ocorrência de dioctofimose não terminal, em uma peça anatômica formalizada de um cão, durante uma aula de anatomia topográfica, bem como discorrer sobre os aspectos epidemiológicos envolvidos nesse achado incidental. Durante a dissecação da região abdominal da peça anatômica formalizada, de um cão de pequeno porte, fêmea, sem raça , idade ou peso definidos, observou-se aumento de volume do rim direito, com perda do contorno e consistência anatômica do órgão. Após dissecação do rim direito, foram observadas em seu interior 8 formas adultas do parasita, sendo 4 machos com comprimento variando de 16,5 a 21,5 cm e 4 fêmeas medindo de 28,0 a 42,0 cm, com perda total do parênquima renal e permanência apenas de bolsa fibrosa delimitante. Caquexia generalizada e hipertrofia compensatória do rim esquerdo também foram detectadas. O registro do animal possibilitou a identificação da causa morte como leishmaniose visceral e a constatação de não ser um cão errante, e sim domiciliado. Embora o D.renale possa ser observado incidentalmente durante a necropsia de cães, estudo realizado na região de Santa Maria-RS, em 3.259 cães necropsiados, durante 18 anos, revelou a presença do parasito em apenas 16 (0,49%) cães, dos quais 12 eram errantes. Por sua vez, incidência de parasitismo em cães necropsiados (475) de 1,14% foi descrita para o município de Uruguaiana-RS. Normalmente a ocorrência deste nematódeo é associada a condições higiênico-sanitárias precárias e cães errantes com acesso aos hospedeiros intermediários e/ou paratênicos, em ambiente aquático. Porém, a ocorrência em cães domiciliados, como aqui descrito, sugere o envolvimento de hospedeiros paratênicos incomuns de importância para o município, que possibilitem a contaminação dos carnívoros domésticos, a exemplo dos roedores. Desta forma, o presente relato evidência a eminente necessidade de novas pesquisas sobre as particularidades regionais do ciclo de vida do D.renale, reforçado pelo potencial zoonótico desta infecção, bem como destaca o papel do cão não somente como hospedeiro terminal e sim como perpetuador deste ciclo.

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Publicado

2013-02-03

Como Citar

Infecção por Dioctophyma renale em cão: relato de um achado incidental e aspecto epidemiológico envolvido, no munícipio de Uruguaiana-RS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 1, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/62524. Acesso em: 17 abr. 2026.